Emerson Ternoski, 25 anos, vitima de homicídio e doador.
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Emerson Ternoski, 25 anos, vitima de homicídio e doador.

Órgãos de um homem vítima de homicídio no Sudoeste do Estado vão ajudar a salvar a vida de, pelo menos oito pessoas. O coração foi para São Paulo (SP) e os pulmões foram enviados à um paciente de Porto Alegre (RS). Na tarde desta terça-feira (14), após ter sido decretada a morte de Emerson Ternoski, 25 anos, a família autorizou a doação do coração, pulmões, pâncreas, rins, fígado e córnea. Emerson estava internado na UTI do Hospital São Francisco desde sexta-feira (10), quando foi atingido na cabeça por um disparo de arma de fogo. O fato aconteceu na propriedade da família, na comunidade de Linha Quebra Braço – Renascença, após uma discussão motivada por divisa de terras.

Esposa do doador, Marinês da Silva, acompanhou o procedimento no hospital. Foto: Evandro Artuzi
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Esposa do doador, Marinês da Silva, acompanhou o procedimento no hospital. Foto: Evandro Artuzi

De acordo com a esposa, Marinês da Silva, o tiro transfixou a cabeça e o marido não resistiu, vindo a óbito na manhã desta terça-feira. Em entrevista à Rádio Onda Sul FM, ela contou que a decisão de doar os órgãos foi tomada em conjunto com os pais e irmãos de Emerson. “Decidimos em conjunto, por que queremos salvar outras vidas, afinal de contas o Emerson era uma pessoa feliz, estava sempre sorrindo e tenho certeza que ele está no céu muito feliz com nossa decisão. Quem receber os órgãos dele, se for triste vai se tornar feliz como ele era”, disse.

O procedimento para captação dos órgãos aconteceu no centro Cirúrgico do Hospital São Francisco e envolveu, além da equipe do hospital, médicos da Secretaria de Saúde do Paraná e dos hospitais para onde foram levados os órgãos. De acordo com a enfermeira Ana Carolina Bonatto, responsável pela Cihdott (Comissão Intro Hospital de Doação de Órgãos e Tecidos) do Hospital São Francisco, esse é o segundo procedimento de captação de órgãos realizado nesse ano de 2016. A profissional lembra que o destino dos órgãos captados fica sob responsabilidade de uma central nacional de doações que monitora a disponibilidade em todo o País.

O médico André Kayano, diretor clínico do São Francisco, também acompanhou todo o procedimento. Para ele, a possibilidade de poder ajudar de alguma forma a salvar vidas anima toda equipe local a fazer a captação. O médico também lembra que é sempre importante agradecer as famílias que, mesmo num momento de dor pela perda, se sensibilizam e autorizam a retirada de órgãos essenciais para que outras pessoas se mantenham vivas. Outro detalhe observado pelo diretor é o tempo para a captação. Segundo ele, tudo é cronometrado para que os órgãos estejam disponíveis em tempo de realizar a cirurgia em que está aguardando. A captação desta terça-feira (14) começou às 12h40 e foi concluída perto das 15 horas, quando os órgãos foram transportados em ambulâncias do hospital para o Aeroporto e de lá seguiram em aeronaves até os destinos.

Para agilizar o transporte terrestre, as equipes contaram com apoio da Polícia Militar, através da ROCAM, que abriu caminho no trânsito facilitando o deslocamento das ambulâncias. Todo procedimento foi concluído com sucesso para os médicos e para a família do doador, que tem a certeza de que vidas serão salvas. “Hoje é um dia triste para nós e ao mesmo tempo alegre”, disse a esposa do doador no momento em que as equipes deixavam o Hospital São Francisco. O corpo de Emerson Ternoski, 25 anos, foi recolhido ao IML para necropsia e posteriormente liberado à família para os atos fúnebres, em Renascença.

Fotos: Evandro Artuzi/RBJ