A Federação da Agricultura do Paraná – FAEP emitiu uma nota em relação ao movimento dos caminhoneiros que bloquearam vários trechos de rodovias no estado. A entidade que representa o setor agropecuário paranaense demostra preocupação com a renda dos produtores rurais, bem como os postos de trabalho e com o risco de desabastecimento da população. A nota assinada pelo presidente da Federação, Agide Meneguette, manifestou compreensão em relação as revindicações dos trabalhadores, enfatizando que produtores rurais que também são vítimas desse cenário no país e não podem ser ainda penalizados por esse movimento cujo alvo não são eles.

NOTA
Ao bloquear rodovias federais e estaduais para o trânsito de produtos perecíveis, os caminhoneiros estão atingindo diretamente o trabalho e a renda de milhares de trabalhadores e produtores rurais paranaenses, a grande maioria pequenos proprietários.
Não só isso, colocam em risco o abastecimento da população e põe em iminente perigo a saúde pública e a segurança alimentar.
– Diariamente são produzidos e processados 12 milhões de litros de leite, por cerca de 115 mil produtores e 300 indústrias (laticínios) no Paraná;
– Estima-se que são abatidos 5 milhões de frangos/dia, resultado do trabalho de 20 mil avicultores paranaenses.
– São mais de 30 mil suinocultores no estado e mais de 750 mil cabeças abatidas semanalmente em 55 frigoríficos;
Essas três cadeias processam milhares de toneladas de ração, baseadas na soja e no milho, num ciclo pré-determinado de prazos e consumo.
Os lotes de frangos que no total somam 300 milhões de aves no Paraná tem em média 40 dias até o abate. A ração que chega ao produtor através dos frigoríficos também se esgota nesse prazo. O mesmo ocorre com o ciclo dos mais de 5,8 milhões de suínos.
Esse enormes rebanhos estão em risco de colapso e causarão danos econômicos e sanitários inimagináveis, porque não existe logística para o descarte das carcaças.
Os milhões de litros de leite serão jogados fora, podendo causar danos ambientais.
Essas são apenas algumas das situações que os caminhoneiros podem evitar, caso deixem de impedir o trânsito de cargas perecíveis.
A Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), como afirmou em nota anterior, entende que as raízes desse movimento estão vinculadas aos desacertos e desarranjos da política econômica que vem sendo praticada nos últimos anos pelo governo federal.
No entanto, os produtores rurais que também são vítimas desse cenário no país, não podem ser ainda penalizados por esse movimento cujo alvo não são eles.

Ágide Meneguette -Presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná