Mais de 80 pessoas, entre produtores, técnicos e empreendedores do setor de agroindústria da região sudoeste do Paraná, participaram na última segunda-feira, dia 20, do workshop “A Cadeia Produtiva do Leite na Itália”, realizado no auditório da Agência de Desenvolvimento Regional do Sudoeste, em Francisco Beltrão. O evento, que faz parte do Programa Brasil Próximo, de cooperação entre o Brasil e a Itália, teve como foco o modelo de agroindústrias de transformação de leite na Itália, apresentado pelo especialista e consultor Giulio Benvenutti. 

Benvenutti é consultor sênior em alimentos, especialista em qualidade e segurança alimentar, consultor para certificações de higiene e segurança alimentar, boas práticas agrícolas, responsabilidade social corporativa e, durante o workshop, detalhou a experiência que fez dos italianos uma referência mundial na agregação de valor em produtos como queijos.

O especialista italiano disse que os mercados são diferentes, mas a região sudoeste tem algo incomum que são as pequenas propriedades. “A intenção foi apresentar nossa experiência na Itália, comparar com a realidade brasileira, que são diferentes, mas que podem ser adaptadas”, anunciou. A principal diferença, segundo Benvenutti, está no mercado, na distribuição, que exige uma grande especialização.

“Na Europa, o mercado varejista é muito forte na área de alimentos, o que exige especialização de quem produz  e vende. Como esse mercado está se desenvolvendo no Brasil, e acredita-se que ele vai se desenvolver muito no futuro próximo, nada mais propício do que dizer que ele deve se enquadrar aos padrões internacionais”, salientou.

Em comum com a Itália está o número de pequenas propriedades, o que para Benvenutti deve ter no associativismo, gestão e foco de atuação como diferenciais competitivos.

“A nossa experiência é a da união dos pequenos produtores por meio de organizações ou cooperativas, o que também pode ser utilizado na região sudoeste. Vale ressaltar também que as cooperativas que tiveram sucesso são aquelas que tinham um objetivo comum. Não importa exatamente a forma como se associa, mas os objetivos pelos quais se associa”, apontou.

A coordenadora do Programa de Agronegócio do Sebrae/PR, Andreia Claudino, ratificou que o workshop foi realizado para trazer informações sobre a experiência italiana, considerada um modelo na agregação de valor na agroindústria de queijo.

“Essas experiências fazem com que possamos observar  modelos de referência, como é o caso de Emilia-Romagna, na Itália, e verificar o que deu certo e o que não deu,  adaptando as informações à nossa realidade”, destacou Claudino. 

Os princípios de gestão de agroindústrias italianas, a relação na cadeia produtiva entre fornecedores, produtores, setores públicos e privados, na produção de queijos no país europeu foram alguns pontos apresentados no evento.

“O produtor de micro e pequeno porte precisa se adaptar para ser competitivo no mercado. Conhecer a experiência de outros países,  no caso, a Itália, que é referência, faz com que possamos repensar o modelo que está sendo atuado na cadeia produtiva para termos novas estratégias e investir em qualidade para competir e crescer”, completou.

O diretor da Agência de Desenvolvimento Regional do Sudoeste, Célio Bonetti, lembra que o desenvolvimento de uma cadeia produtiva está ligado à inovação e tecnologia de alto nível. “Iniciativas como essa, que trazem um cientista de uma região referência no mundo, que desenvolveu tecnologia para agregar valor a um produto, ajuda diretamente no nosso projeto de desenvolver a  cadeia produtiva do leite na região”, pontuou.

Na avaliação do consultor do Sebrae/PR, Nézio José da Silva, a união dos parceiros na realização do evento é um ponto a ser destacado, bem como a disseminação da experiência italiana. “Para nós, que no Sudoeste estamos num momento de crescimento e investimento na cadeia de lácteos, foi importante conhecer essa experiência que é modelo e pode gerar informações para  a nossa região”, completou.

O evento foi promovido pelo Sebrae/PR, o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Sistema Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Serviço Nacional da Indústria no Paraná (Senai-PR), Governo do Estado, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Agência de Desenvolvimento Regional do Sudoeste e o Sistema de Cooperativas do Leite da Agricultura Familiar (Sisclaf).