Aproveitar a escalada do dólar para exportar, principalmente para o Mercado Comum do Sul (Mercosul) ou tradicionais importadores como Estados Unidos, Austrália, Angola, França e Portugal. Investir na melhoria de processos, na diminuição de custos, na diversificação de produtos e na ampliação dos canais de vendas, olhando atentamente para o e-commerce. Essas foram algumas sugestões repassadas pelo economista Leonardo de Assis Santos, da Cortex Intelligence, empresa de consultoria do Rio de Janeiro, para aproximadamente 40 empresários da indústria de moda da região sudoeste, na última semana, em Francisco Beltrão.

O evento Circuito Inteligência Competitiva – Perspectivas Brasil 2015/2016, promovido pelo Sebrae/PR, em parceria com o Sindicato das Indústrias do Vestuário do Sudoeste do Paraná (Sinvespar), reuniu empresários para debater o cenário político, econômico e os possíveis impactos no setor do vestuário paranaense. No formato de talk show, após a palestra do economista e empresários do setor realizaram um debate coordenado pelo empresário da Vitalle Man e vice-presidente do Sinvespar, Ademilson Jorge Belusso e Luiz Alberto Placeres Neri – diretor industrial da empresa Raffer.

A crise econômica e política atual, na verdade, só aumenta a dificuldade do setor que sofre desde a última década, com a perda de competitividade frente à avalanche de produtos importados. Por isso, além de orientações gerais, o economista apontou a especialização da produção em nichos em expansão no mercado do vestuário, como plus size, evangélico, gestante, sustentável, street, country e terceira idade. “A crise vai durar ainda um tempo. A expectativa é que siga até o início de 2017, mas dependendo das condições do mercado, principalmente nos Estados Unidos, China e Europa, pode se prolongar. Por isso, o momento é ideal para discutir as informações, entender o cenário, e encontrar caminhos para enfrentar o momento”, orientou Leonardo.

Por exemplo, o potencial de consumo anual da terceira idade no Brasil, apontado na palestra do economista, é de em média R$ 402 bilhões.  O crescimento da expectativa de vida da população e a mudança no perfil de consumo dos idosos, tende a transformar esse público em um mercado particular para produtos do vestuário. O mesmo para o street, que, impulsionado pelo crescimento da prática de esportes urbanos, como skate e patins, bem como o crescimento do nível de urbanização no País, tem, somente em produtos e acessórios relacionados ao skate, um mercado potencial em R$ 1 bilhão. No chamado plus size, roupas para pessoas de diversos estilos com numeração acima de 44, está outro nicho apontado pelo especialista. Neste caso, a demanda de mercado advém da elevação do número de pessoas com sobrepeso, que no caso do Brasil, já passa os 51% da população. O segmento fatura R$ 4,5 bilhões atualmente, conforme números revelados na palestra.

Ademilson Jorge Belusso, empresário e vice-presidente do Sinvespar, conta que o evento, além de atender a expectativa sobre questões do cenário econômico, complicações e possíveis saídas, agradou pelo formato.  “O tema foi importante e, acima de tudo, o formato proposto estimulou o debate e a participação. De modo geral, paramos para debater questões importantes, de forma conjunta, que vão ajudar o setor da moda na região”, pontuou.

Na empresa, Belusso afirmou que o evento serviu de ‘norte’ para tomar decisões na linha comercial, como investir no e-commerce e também repassou as informações principais para os setores, como forma de melhor entender e enfrentar o momento. “Já nos reunimos com os encarregados e começamos a traçar as estratégias para nos reforçarmos diante do cenário, a fim de enfrentar esse desafio sem pessimismo, mas preparados”, comentou o empresário.

Para a consultora do Sebrae/PR, Jocelei Fiorentin, o evento atingiu seu objetivo, que foi apresentar o cenário político e econômico e os impactos no setor do vestuário paranaense, com a discussão de possíveis caminhos para superar a crise. “O evento mostrou que a crise existe, mas é nesta hora que o empresário deve se reinventar. No momento de dificuldade, devemos olhar para dentro da empresa e rever os modelos de negócios, como chegar no cliente, os novos canais de comercialização, enfim, repensar o modelo de negócio”, comentou.

Jocelei acrescentou que não tem como mudar a situação econômica e o que impacta na dinâmica do setor de confecção. “Especialmente nesse setor, as empresas já enfrentam um cenário complicado com a concorrência dos importados há mais de uma década e superaram crises em outros momentos, justamente, inovando e se reposicionando no mercado.” Além de Francisco Beltrão, o Sebrae/PR realizou eventos do Circuito Inteligência Competitiva – Perspectivas Brasil 2015/2016 para o setor do vestuário em Maringá, Terra Roxa e Apucarana.