Deflagrada em julho de 2015, a Operação Quadro Negro, que apura fraudes e desvios de dinheiro público destinado à construção e reformas em instituições de ensino do Estado, uma delas em Coronel Vivida, Sudoeste do Paraná, passa a ser investigada também pela Polícia Federal. Parte dos recursos que podem ter sido desviados são oriundo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

O Tribunal de Contas do Estado (TCE-PR) impugnou R$ 13,9 milhões em verbas federais aplicados irregularmente e determinou a devolução do dinheiro. Ao todo, segundo o TCE, foram desviados R$ 29 milhões entre recursos da União e do Estado.

A Polícia Federal instaurou inquérito em março, a pedido da Procuradoria Regional da 4ª Região. As investigações basearam-se em oito processos que tramitam no Tribunal de Contas e que diagnosticaram uma série de indícios de fraudes em obras.

De acordo com o TCE, foram identificadas seis empresas envolvidas: MI, Machado Valente, TS Construção Civil, Brioschi Engenharia, Atos Construção Civil e Valor Construtora e Serviços Ambientais Ltda. Somente esta última, responde por sete obras.

A gestão dos contratos era de responsabilidade da Superintendência de Desenvolvimento Educacional, ligada à Secretaria de Estado da Educação (Seed). Além de Coronel Vivida, obras em estabelecimentos de ensino de Curitiba, Campina Grande do Sul, Guarapuava, Cornélio Procópio, Santa Terezinha do Itaipu, Rio Negro, Campo Largo e Almirante Tamandaré estão entre as investigadas.

A estrutura do colégio em Coronel Vivida foi projetada para atender 600 alunos dos ensinos fundamental e médio. Inicialmente, a obra foi licitada a um valor de R$ 3.326.095,56, mas recebeu um aditivo de R$ 794.718,38, totalizando R$ 4.120.813,94. A Secretaria de Educação afirma que até a suspensão das obras, foram pagos cerca de R$ 3,6 milhões. No entanto, segundo o TCE, foram repassados quase R$ 3,9 milhões. Outro ponto levantado pelo Tribunal é que o Estado pagou mais de 94% da obra, porém somente 8,33% foi executada.

Em suas três fases, a Quadro Negro chegou a prender oito pessoas – entre elas, o ex-diretor da Secretaria de Educação do Paraná, Maurício Fanini, e o ex-vereador, Juliano Borghetti, que é irmão da vice-governadora Cida Borghetti (PP).

Em matéria da Gazeta do Povo, acusados ligados à Valor Construtora, em depoimento, disseram que parte do dinheiro desviado das obras em escolas teria abastecido a campanha de reeleição do governador Beto Richa (PSDB), além de campanhas dos deputados Ademar Traiano (PSDB), Plauto Miró (DEM) e Tiago Amaral (PSB).

Parte dos valores teriam sido entregues pessoalmente ao conselheiro do TCE, Durval Amaral, que é pai de Tiago Amaral, e ao secretário de Infraestrutura e Logística, José Richa Filho, irmão do governador. Todos negam a acusação.