“Não podemos colocar qualquer pessoa, qualquer profissional na área pública”. A declaração é do Diretor de Fiscalização do Conselho Regional de Administração do Paraná (CRA-PR), Armando Romero, que, na noite de quarta-feira (27), ministrou a Aula Magna do curso de Administração do Campus Palmas do IFPR (Instituto Federal do Paraná), abordando a temática “Os Desafios da Gestão Pública”.

Conforme ele, o setor público não admite mais “amadores”, sendo necessária a escolha de profissionais com conhecimento técnico-administrativo, tanto por parte da população ao eleger seus representantes, quanto dos indivíduos que ocupam o poder ao montarem suas equipes de governo.

Segundo pesquisa, 20% dos universitários do Brasil e dos Estados Unidos se formam em Administração. De acordo com Romero, os profissionais formados na América do Norte saem da universidade para atuar na sua área de formação. “Por sua vez, no Brasil, das pessoas que ocupam cargos administrativos, de liderança, apenas 27% possuem diploma universitário, e não estou falando de Administração, é qualquer curso superior.”, aponta.

Diante desse cenário, Romero afirma que grande parte das pessoas que assumem cargos públicos no Brasil, não estão preparadas. Assim, por não possuírem conhecimento, acabam sem realizar análises tecnificadas em torno dos inúmeros dados e informações em que devem se basear as decisões. “E são eles que decidem, e foi a população que os elegeu para estarem lá”, relembra.

Numa comparação entre setor público e privado, Romero descreve que neste último, um empresário sempre procura a pessoa mais qualificada para assumir qualquer cargo. “Se ele quiser, pode até assumir o risco de colocar qualquer pessoa trabalhar, afinal, o dinheiro é dele. Na área pública, não pode! Seria um crime não botar alguém que realmente vá cuidar do dinheiro público”, enfatiza, citando casos de corrupção, como o escândalo da “máfia das próteses”, que se caracterizaram pela demonstração da falta de administradores na gestão pública.

No entanto, ele lembra que a sociedade, através de inúmeros instrumentos, além dos órgãos de fiscalização, está vigilante, o que exige dos gestores “mais consciência sobre aquilo que estão fazendo e sobre os cargos que ocupam”.

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