A Associação Brasileira dos Criadores de Caracu (ABCC) participou, neste último mês, de diversos eventos nacionais e internacionais visando o fortalecimento da raça. Conforme o presidente da entidade, que tem sede nacional em Palmas, sul do Paraná, Kiko Pagliosa, apesar da situação de mercado adversa para o setor, o trabalho da associação continua.

Inicialmente Pagliosa destacou a participação da entidade no evento de certificação da raça Purunã, a primeira paranaense, desenvolvida pelo IAPAR que tem sua composição 25% do valor genética do Caracu.

Em Brasília, esteve reunido com o ministro da Agricultura para iniciar os entendimentos para desenvolvimento de um projeto de expansão, fortalecimento e introdução da raça nas pequenas propriedades brasileiras, visto que o Caracu tem todas as características que se adaptam à realidade dos pequenos produtores. “Fomos criar uma ambiente político para que este projeto seja viabilizado com a participação do governo”, disse ele.

Na Bolívia, Pagliosa participou com criadores de outros sete países da América Latina, de um ciclos de palestras onde defendeu a instituição de uma estrutura de difusão de tecnologia entre todas as raças crioulas deste continente. Conforme o presidente da ABCC, as tecnologias atualmente estão muito centradas em grandes corporações, dificultando a inserção de raças nativas neste complexo. “Durante palestra sugeri que cada associação de raça trabalhe junto aos seus respectivos governantes para criação de um banco genético para interação e a difusão da tecnologia entre os países”, disse ele.

IMPACTOS DAS DENÚNCIAS

Na Rádio Club AM, Pagliosa também avaliou  o atual mercado de bovinos, que está enfrentando as consequências de dois episódios da política nacional:  a Operação Carne Fraca  e os escândalos envolvendo a JBS no esquema de propinas a políticos brasileiros. Avaliou que apesar do impacto, o primeiro evento foi rapidamente contornado pela própria demanda do mercado internacional, e isso, diminuiu o impacto no setor pecuário brasileiro. “O mundo precisa da carne brasileira”, avaliou.

Já o segundo fato, tem reflexos maiores, pois a JBS, domina os mercados nacional, latino americano e mundial de carnes.  Por isso, os preços caíram e geraram dificuldades bastante grandes na escala de comercialização da produção nacional. Outro fator que reforça a tendência de queda é a diminuição do poder aquisitivo da população, fortemente influenciado pelo elevado índice de desemprego que o pais atravessa.

Para o dirigente, apesar deste cenário, a ABCC vai continuar fazendo seu trabalho e, inclusive, estará presente em vários eventos, tais como o Palmas Show, marcado para o final do mês de julho com leilões sendo transmitidos para todo o Brasil, bem como,  dos outros leilões em grandes eventos nacionais. “ O nosso trabalho está sendo bem feito, como sempre, conduzindo o criador, preparando os animais, melhorando genética”, disse ele.