“Meu primeiro desafio é não infartar”, diz o empresário Abelson Carles, diretor da Alcast do Brasil, empresa com unidades em Francisco Beltrão, no Sudoeste, e Palmas, no Sul do Paraná, ao falar sobre as dificuldades que o setor industrial enfrenta há, pelo menos, três anos. Numa análise geral, ele afirma que “o Brasil precisa ser passado à limpo” e defende que a primeira reforma a ser implementada seja a política. “Precisamos ter pessoas que olhem para um projeto de país e não apenas para o seu próprio umbigo”, aponta.

Conforme o empresário, o setor industrial enfrenta uma série de desafios, sobretudo a concorrência do mercado asiático, que encontra melhores condições de fomento, seja através da desburocratização na compra de equipamentos, seja através de incentivos financeiros. “Hoje, infelizmente, o Brasil é um país caro para produzir, com juros altos e uma indecisão política muito grande”, avalia, afirmando que as propostas de reformas apresentadas pelo atual governo são importantes para que o país retome sua economia e sua capacidade de produção.

Diante do atual cenário, Carles brinca que ser empresário no Brasil virou um desafio de vida. “Um dia me perguntaram qual era a minha primeira meta e eu falei: é não infartar”, conta, destacando que a realidade do empresariado tem sido de extrema dificuldade. “Nós vivemos um momento em que não se pode fazer um planejamento. Pela manhã o cenário é um, à tarde outro e à noite já mudou novamente”, citando o exemplo do dólar, que tem oscilado no mercado, seguindo a instabilidade política do país.

Sobre esse ponto, o empresário destaca que todos os setores, além da indústria, sentem os impactos negativos, o que gera desconfiança. “Qualquer empresário sem confiança não investe. Ele vai procurar outro país onde se tenha condições”, apontando o exemplo do Paraguai, que tem recebido investimentos significativos de empresas brasileiras, pois, atualmente, oferece melhores oportunidades. “A economia começava a ganhar ânimo, mas com esses últimos escândalos, a situação ficou difícil de novo”, lamenta.

Revelou que a Alcast do Brasil postergou todos os investimentos previstos nos últimos três anos para o seu setor produtivo. Atualmente os esforços se concentram na construção da PCH (Pequena Central Hidrelétrica) Jacaré, em Francisco Beltrão, que, após 14 anos de projetos, teve sua concessão liberada. “Se não executássemos o projeto, perderíamos a concessão. Em janeiro ou fevereiro do próximo ano a unidade já deverá estar em operação. Infelizmente, é um investimento que gera poucos empregos, mas que traz tranquilidade, porque o país precisa de energia”, avalia.