A inovação está cada vez mais presente no cotidiano das empresas. Em um mercado competitivo, inovar tornou-se fundamental para ampliar vendas e crescer. Foi com esse pensamento que os sócios da PWD Usinagem, de Pato Branco, encontraram uma maneira de explorar um nicho de mercado na colheita de feijão. Nelson Panho e Valadar Dal Bosco identificaram que não existia uma plataforma eficiente para colheitadeiras de uma das principais marcas, a Massey Ferguson. Com apoio do Sebrae/PR, desenvolveram um equipamento que está disponível no mercado.

Nelson Panho e Valadar Dal Bosco, responsáveis pela invenção. Foto de divulgação
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Nelson Panho e Valadar Dal Bosco, responsáveis pela invenção. Foto de divulgação

Panho conta que a ideia de fazer o kit surgiu no início de 2015, depois de encerrada a colheita do feijão no Sudoeste. “Observei que, com as opções existentes, as colheitadeiras da marca não eram adequadas para o serviço, pois a perda variava de 25% a 30%, algo impraticável”, pontua. 

A partir daí, resolveu projetar algo que pudesse ser adaptado às plataformas das colheitadeiras e os resultados começam a aparecer, com o recente lançamento do kit MF-32. “Com o nosso kit, a máquina colhe em velocidades entre 6 e 8 km/h. Nas outras marcas de colheitadeiras, com as plataformas disponíveis, a colheita acontece entre 3 e 4 km/h. O melhor de tudo é que a perda é muito menor com o MF-32 do que nas outras”, relata Panho. 

Recursos do Sebrae

A construção do kit só foi possível depois que Panho e Dal Bosco procuraram o Sebrae/PR. Através de Evandro Lopes, técnico em mecânica e metalurgia e proprietário de uma empresa de Joinville (SC), que presta serviços na área, os empresários ficaram sabendo do Sebraetec.

Lopes é credenciado do Sebrae/PR e atende às demandas do Sebraetec, programa que permite às empresas o acesso subsidiado a serviços em inovação e tecnologia. Ele incentivou os sócios a buscarem mais informações. O projeto foi aprovado e o Sebraetec subsidiou 50% do valor do projeto, que foi desenvolvido pela empresa de Lopes. 

“O kit com as polias teve que ser dimensionado. Foi necessário verificar a resistência dos materiais e calcular as forças. Com o trabalho dos técnicos e engenheiros, desenvolvemos um protótipo que foi adaptado em uma colheitadeira, para os testes em campo”, detalha Lopes. 

A consultoria de Evandro Lopes possibilitou que algumas peças ficassem mais leves e, ao mesmo tempo, mais resistentes. E a mudança da fundição que produzia as polias resultou em ganho de tempo. “Algumas peças tiveram peso reduzido de 75 kg para 35 kg. A fundição escolhida para fazer as polias praticamente deixou de exigir o trabalho de usinagem. Antes, o processo era feito por três funcionários e durava de dois a três dias. Agora, um único colaborador leva poucas horas para finalizar a peça”, comemora Nelson Panho. 

O consultor do Sebrae/PR, Alaxendro Rodrigo Dal Piva, detalha que o Sebraetec é destinado a promover a inovação, como o projeto da PWD. “Os recursos foram aplicados em uma solução inovadora, que permite competividade à empresa. A melhoria dos processos resultou em ganho de escala para a PWD, que agora pode utilizar a mão de obra para realizar outros serviços. O kit para colher feijão coloca a empresa em outro patamar, com um novo produto para comercialização”, observa Dal Piva. 

Primeiras vendas

A PWD já produziu e comercializou sete kits MF-32 e tem recebido consultas de revendas agrícolas de várias regiões do país. “Vendemos um conjunto para um revendedor autorizado Massey Ferguson, em Orlândia, interior de São Paulo. Eles estão fazendo os testes, mas já iniciaram negociação para comercializar os kits nas 40 revendas do grupo”, revela Nelson Panho. 

O kit

O MF-32 é um conjunto de polias que é adaptado a modelos de colheitadeiras da Massey Ferguson produzidas a partir de 2010. O sistema permite a colheita do feijão e promete ser um aliado dos produtores. Segundo os proprietários da PWD Usinagem, a colheita de dez alqueires do grão é suficiente para pagar o investimento. O MF-32 já tem o registro de patente no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi).