O edital de concessão da Unidade Frigorífica da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar) de Palmas, Sul do Estado, poderá ser lançado no mês de junho, de acordo com informações repassadas ao RBJ pela gerência comercial da Companhia, nesta sexta-feira (13). Segundo Francisco Carlos Alves, a concessão já está autorizada, restando definir qual modelo deverá ser adotado para a cedência da estrutura à iniciativa privada.

Informou que já foram lançados editais para concessão de quatro unidades de armazenamento de grãos – Maringá, Guarapuava, Araucária e Assaí – cuja abertura das propostas estava prevista para ocorrer nesta semana. No entanto, diante do atual cenário político e econômico do país, as empresas interessadas e que, inclusive, já haviam entregue os envelopes, comunicaram a desistência do certame, justificando que o momento exige cautela em determinados investimentos.

Conforme Alves, Codapar e as empresas desistentes se reunirão para rediscutir os editais e redefinir os modelos de concessão, para o relançamento das propostas no mês de junho. De acordo com o plano de concessões da Companhia, as unidades frigoríficas – Palmas e Guarapuava – entrariam em editais na segunda etapa do processo. “Dependendo, poderemos lançar os editais das unidades frigoríficas em junho também. Depende do cenário político e econômico”, frisou.

A unidade da Codapar de Palmas ocupa uma área de 11 mil metros quadrados com capacidade para armazenagem de 7 mil toneladas em 19 câmaras e 03 antecâmaras. Sua inauguração ocorreu em 15 de março de 1986, ainda como Copasa (Companhia Paranaense de Silos e Armazéns), incorporada à Companhia Agropecuária De Fomento Econômico Do Paraná (Café Do Paraná) em 1991, passando a denominar-se Codapar.

Produtores de maçã e batata de Palmas, General Carneiro, Água Doce e outros municípios da região utilizam a estrutura para armazenagem e classificação de suas produções e a principal reclamação é o alto custo para o armazenamento. Em estudo realizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Maçã (ABPM) em julho de 2015, o custo médio para armazenagem no Brasil era de R$ 37,00 por tonelada, enquanto que a tarifa aplicada pela Codapar chegava a R$ 80,00. Além disso, desde sua inauguração, a unidade palmense nunca recebeu obras de reformas e melhorias em sua estrutura, outro ponto de reclamação dos usuários. Entre 2005 e 2016, a unidade apareceu em diversas ocasiões nos planos de investimento da Companhia, o que nunca se concretizou.

Em meados de 2015, o presidente da Codapar, Tino Staniszewski, reconheceu que os custos para armazenagem são elevados, o que fez muitos produtores considerarem a possibilidade de armazenar sua produção em Santa Catarina.  Na ocasião Staniszewski explicou que os aumentos ocorreram devido à uma série de fatores, o que fez a Codapar ”buscar por parcerias para diminuir os custos da unidade”. Destacou que a unidade de Palmas “cumpre um papel relevante para a região, mas que ao longo do tempo vem exigindo manutenções e gastos muito elevados”, com os quais a Codapar não tem condições de arcar.

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