Na manhã desta segunda-feira (06), o Bispo Diocesano, Dom José Antonio Peruzzo, em visita à Rádio Club de Palmas, sul do Paraná, falou, dentre outros assuntos, sobre o pleito eleitoral deste ano. Em sua análise, questões essenciais como as reformas tributária, jurídica e a tão sonhada reforma política, não foram discutidas de forma aprofundada.

Conforme Dom José, os debates resumiram-se a ataques sobre a situação da economia brasileira e sobre os escândalos de corrupção que vieram à tona nos últimos meses. “Partiam-se de questões econômicas para um dizer o que o outro não tinha feito, ou então, para um acusar o outro dos fatos lamentáveis de corrupção que puseram à lume que os paladinos da moralidade não são tão morais como queriam fazer crer.”, avaliou. Por outro lado, considerou de maneira positiva a candidatura de Marina Silva (PSB) e o elevado número de votos que conquistou, demonstrando que a população busca pela renovação, mas não se deixa levar por propostas sem embasamento e sem convicções.

Sobre o Paraná, Dom José analisou que o Estado sofre com a dinâmica de famílias e grupos que se alternam no Poder. “Infelizmente, eu considero o eleitorado paranaense por demais conservador.”, disse ele, elogiando a senadora Gleisi Hoffmann (PT), mas criticando a organização política a qual ela pertence, pois, segundo Dom José, “o partido assumiu as mesmas vestes daqueles que o próprio partido criticava veementemente.”

Ainda sobre o processo político, Dom José reforçou a necessidade de Palmas ter o seu representante na Assembleia Legislativa, mas para isso, é necessário que a população tome consciência. “Palmas precisa ter alguém que o seu nome represente. Tinhamos o candidato de agora, mas  outras vezes eram outros candidatos. Alternam-se nomes e partidos, mas nunca temos o nosso. Parece que lamentamos muito, mas não decidimos mudar nada, é uma grande pena.”, citando o exemplo do município de Clevelândia, que há muito tempo conta com seus representantes em nível estadual.