O Bispo de Palmas/Francisco Beltrão conclamou aos Diocesanos à leitura e conhecimento da nova Exortação Apostólica pelo Papa Francisco sobre a chamada à santidade no mundo atual. Na mensagem semanal, Dom Edgar Xavier Ertl, aborda sobre os cinco capítulos do documento em que o Sumo Pontífice esclarece que todos são chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra.

Acrescenta, Dom Edgar, que a santidade não é uma prerrogativa para bispos, sacerdotes, religiosas/os, pessoas dedicadas à oração, à contemplação. “ Procuremos, portanto, irmãos caríssimos, ler Exortação Apostólica em família, na catequese, nos encontros de todas as pastorais, movimentos, retiros etc”, motivou o bispo Diocesano.

Chamados à santidade no mundo atual

O Papa Francisco publicou outra Exortação Apostólica. Trata-se da “Gaudete et Exsultate” – “Alegrai-vos exultai” (cf. Mt 5,12) – sobre a chamada à santidade no mundo atual. O Documento papal divide-se em cinco capítulos, distribuídos em 177 artigos densos de teologia, espiritualidade, exemplos concretos de santidade e caminhos para alcançá-la. . Chamada à santidade. . Dois inimigos sutis da santidade. . À luz do Mestre. . Algumas características da santidade no mundo atual. . Luta, vigilância e discernimento.

Às páginas introdutórias Francisco adverte aos leitores de maneira despretensiosa, marca registrada de seu pontificado: “Não se deve esperar aqui um tratado sobre a santidade, com muitas definições e distinções que poderiam enriquecer este tema importante ou com análises que se poderiam fazer acerca dos meios de santificação. O meu objetivo é humilde: fazer ressoar mais uma vez a chamada à santidade, procurando encarná-la no contexto atual, com os seus riscos, desafios e oportunidades, porque o Senhor escolheu cada um de nós ‘para ser santo e irrepreensível na sua presença, no amor’ (cf. Ef 1, 4)” (n. 02).

A santidade não é uma prerrogativa para alguns escolhidos de Deus, tais como os bispos, sacerdotes, religiosas/os, pessoas dedicadas à oração, à contemplação. Francisco declina quem são os chamados à santidade: “Todos somos chamados a ser santos, vivendo com amor e oferecendo o próprio testemunho nas ocupações de cada dia, onde cada um se encontra. És uma consagrada ou um consagrado? Sê santo, vivendo com alegria a tua doação. Estás casado? Sê santo, amando e cuidando do teu marido ou da tua esposa, como Cristo fez com a Igreja. És um trabalhador? Sê santo, cumprindo com honestidade e competência o teu trabalho ao serviço dos irmãos. És progenitor, avó ou avô? Sê santo, ensinando com paciência as crianças a seguirem Jesus. Estás investido em autoridade? Sê santo, lutando pelo bem comum e renunciando aos teus interesses pessoais” (n. 14).

No cap. 3º o Papa pede-nos que olhemos para Jesus Cristo, que nas bem-aventuranças de Mateus 5,3-12, com toda a simplicidade, explicou o que é ser santo. As bem-aventuranças, segundo o Pontífice, “são como que o bilhete de identidade do cristão” (n. 63), dito de outro modo, “o que é necessário fazer para chegar a ser um bom cristão”. Sintetiza o Sermão da Montanha em oito pontos fundamentais para atingir a santidade no cotidiano da vida: – ser pobre no coração: isto é santidade; – reagir com humilde mansidão: isto é santidade; – saber chorar com os outros: isto é santidade; – buscar a justiça com fome e sede: isto é santidade; – olhar e agir com misericórdia: isto é santidade; – manter o coração limpo de tudo o que mancha o amor: isto é santidade; – semear a paz ao nosso redor: isto é santidade; – abraçar diariamente o caminho do Evangelho mesmo que nos acarrete problemas: isto é santidade (cf. nn. 63-94).

Francisco, no cap. 4º propõe-nos algumas características da santidade no mundo atual. Ele chama de cinco grandes manifestações do amo de Deus e ao próximo. A primeira desta característica é “permanecer centrado, firme em Deus que ama e sustenta” (n. 112). A segunda é alegria e o sentido do humor que devemos viver. Ser cristão é “alegria no Espírito Santo” (Rm 14,17). A ousadia e ardor é outra característica da santidade porque Deus é sempre novidade (cf. n. 129ss). A vivência em comunidade, como espaço teológico onde se pode experimentar o Cristo ressuscitado, vai aos poucos se transformando em comunidade santa e missionária (cf. n. 140ss) é a quarta característica. Por fim Francisco diz que a oração constante torna a pessoa com espírito orante, que tem necessidade de comunicar-se com Deus, na solidão, por alguns tempos de silêncio profundo, meditando, ruminando Sua Palavra (cf. n. 147ss).

Procuremos, portanto, irmãos caríssimos, ler Exortação Apostólica em família, na catequese, nos encontros de todas as pastorais, movimentos, retiros etc. Vamos conhecê-la com desejo de crescermos em santidade para melhor seguirmos Jesus Cristo, o “Santo de Deus” (Jo 6,69) como disse Pedro.

Dom Edgar Ertl