Por Larissa Mazaloti

 

Fonte: G1, UOL, E-Band

 

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Na noite de ontem, o Brasil conheceu a pessoa escolhida para ocupar o mais alto cargo político, de 2011 à 2014 e pela primeira vez o nome é de uma mulher: Dilma Rousseff.

 

Eleita com mais de 55 milhões de votos, no primeiro discurso ela disse: “Sim, a mulher pode!” e garantiu que vai honrar as mulheres, governar para o combate e erradicação da miséria e “zelar pela mais ampla liberdade de imprensa e pela mais ampla liberdade de culto”.

 

Dilma venceu no segundo turno o candidato do PSDB, José Serra, que obteve mais de 43 milhões de votos neste domingo, dia 31 de outubro.

 

Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte. É filha de uma professora e de um imigrante búlgaro. Aos 62 anos ela entra para a história como a primeira mulher presidente do Brasil e décima primeira da América Latina, sendo que destas, é a oitava eleita.

 

A petista entrou na política ainda no antigo colegial, na oposição ao regime instaurado em 1964. Começou na Organização Revolucionária Marxista – Política Operária (Polop), movimento que, na sua origem, era uma espécie de coalizão de dissidentes, com quadros do PCB, do PSB e do trabalhismo, além de trotskistas e outros marxistas.

 

Na Polop, ela conheceu o primeiro marido, Cláudio Galeno de Magalhães Linhares. Ao lado dele, mais tarde, optou pela luta armada e se juntou ao Comando de Libertação Nacional (Colina).

 

Em matérias que tratam da biografia da nova presidente do Brasil, amigos contam que Dilma sempre foi inteligente acima da média e que muito, vem da influência do pai, Pedro Rousseff que, segundo informações criou os três filhos com rigidez europeia em Minas Gerais.

 

Em 1970, quando já fazia parte da Vanguarda Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), Dilma Rousseff foi presa pela Operação Bandeirante e detida no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), onde foi torturada.

 

Condenada pela ditadura, foi levada ao Presídio Tiradentes. Foi libertada no fim de 1972 e se mudou para Porto Alegre, terra de seu segundo marido Carlos Franklin Paixão de Araújo, com quem teve sua filha, Paula.

 

Relatos de amigos também apontam a experiência na prisão como motivo para uma personalidade forte e para o autoconhecimento de Dilma sobre os próprios limites.

 

Na capital gaúcha, ela cursou ciências contábeis na Universidade Federal do Rio Grande do Sul de 1974 a 1977. Com a volta de Leonel Brizola ao país após a Anistia, Dilma se filiou em 1980 ao recém-fundado Partido Democrático Trabalhista (PDT). Até 1985, ela trabalhou como assessora de deputados do partido na Assembleia Legislativa do estado.

 

Em 1987, Dilma foi secretária das Finanças da prefeitura da capital gaúcha, sob a gestão de Alceu Collares. Em 1989, virou diretora-geral da Câmara dos Vereadores. Quando Collares foi eleito governador do estado, Dilma passou ao cargo de presidente da Fundação de Economia e Estatística (FEE) do RS, onde ficou de 1991 a 1993, quando virou secretária de Energia, Minas e Comunicações.

 

Com o fim do mandato de Collares, a nova presidente do Brasil voltou para a FEE, até 1997. Em 1998, Olívio Dutra, do PT, foi eleito governador com o apoio do PDT de Dilma e ela voltou à Secretaria de Energia, Minas e Comunicações. Mas quando Brizola e o PDT romperam com os petistas, Dilma e outras lideranças do partido no Rio Grande do Sul optaram por deixar o PDT e se unir ao PT de Dutra.

 

Dilma ficou no cargo até o fim do governo Dutra, em 2003, e participou das negociações do governo do Rio Grande do Sul com o governo federal para gestão da crise energética de 2001.

 

Quando Lula assumiu o governo, Dilma foi chamada para assumir o Ministério das Minas e Energia e evitar um novo apagão. Além da atuação positiva e técnica, avaliam cientistas políticos, que Dilma foi de alta fidelidade ao presidente Lula.

 

No ministério, Dilma apresentou um modelo para mudar a regulamentação do setor elétrico, mantendo a presença privada, mas aumentando as funções de regulamentação e controle do Estado. E lançou o projeto “Luz para Todos”, para levar energia elétrica às áreas rurais ainda não atendidas pelas redes principais do país.

 

Após o escândalo do mensalão, que derrubou o então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, Dilma foi convidada por Lula para a função, em 2005.

 

Ali, ela trabalhou na formulação do principal projeto do segundo mandato de Lula, o Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), um conjunto de iniciativas de infraestrutura, habitação, transportes e geração de energia. Repetidas vezes, durante o lançamento do projeto e a campanha presidencial de 2010, Lula a chamou de “mãe do PAC”.

 

Para Alceu Collares, a popularidade de Lula na presidência se deve diretamente ao trabalho de Dilma e agora, as avaliações são de que Dilma deve a vitória inteiramente à popularidade de Lula. Parece então, uma situação justa.

 

Em abril de 2009, Dilma convocou uma coletiva de imprensa para anunciar que estava se submetendo a um tratamento contra um câncer em seu sistema linfático. Após sessões regulares de quimioterapia em São Paulo, seus médicos anunciaram que ela estava curada em setembro do mesmo ano.

 

O crescimento foi vertiginoso. Em fevereiro deste ano, Dilma tinha 25% das intenções de voto, contra 36% de Serra. Depois do anúncio oficial da candidatura, no final de agosto, ela contava com 51% das intenções, contra 27% de Serra.