A Comunicação Litúrgica foi tema da 9ª etapa da Escola Diocesana de Liturgia, no dia 14 de novembro, na Casa de Formação Divino Mestre (Francisco Beltrão), assessorada pelo Pe. Valdecir Bressani (Assessor Diocesano da Pastoral da Comunicação).
Conforme Pe. Bressani, a Comunicação Litúrgica parte do princípio de que a liturgia é comunicação e que a Igreja, por natureza, é evangelizadora e comunicadora. “Uma vez que a Igreja leva em conta o mistério trinitário, a partir da Santíssima Trindade, Deus é comunicação. A igreja tem essa missão de comunicar tudo aquilo que Deus quer revelar ao mundo. A comunicação litúrgica dá conta dessa dimensão comunicativa, porque permite que a comunidade se comunique com Deus e Deus possa comunicar-se com a pessoa. Deus fala ao coração”.
Dentre os tópicos abordados, Pe. Bressani esclarece: “Na prática litúrgica foi estudado sobre a voz, o entusiasmo com que se comunica, a espiritualidade do comunicador, o espaço litúrgico, gestos, palavras, ações, o uso das tecnologias a serviço da liturgia, para que elas contribuam, mas ao mesmo tempo não tirem a centralidade litúrgica. E a grande pergunta: nossas liturgias permitem falar com Deus e potencializam essa ação de Deus na vida das pessoas?”.
A preparação das equipes litúrgicas é fundamental, inclusive na oratória e na espiritualidade, diz Pe. Bressani: “Precisamos intensificar essa prática da formação, não só da oratória, que seria a boa comunicação interpessoal sobre a pronúncia, a postura, gestos, entonação de voz, da clareza, mas também do uso da técnica, do microfone, dos audiovisuais, da música litúrgica, que é tão importante e precisa ser bem trabalhada, a homilética, a contextualização da Palavra de Deus. Mas tudo isso partindo de uma espiritualidade profunda. Ninguém dá aquilo que não tem. A comunicação também passa pelo entusiasmo, a convicção, a alegria, aquilo que aprendemos de Jesus, que falava com autoridade e segurança. A comunicação litúrgica nos desafia a partir de uma experiência profunda. Essa formação é uma grande urgência que temos”.
O uso dos audiovisuais, a projeção de cantos é uma realidade nas igrejas, enfatiza Pe. Valdecir: “Se olharmos liturgicamente, o folheto seria desnecessário para acompanhar o texto bíblico. Preciso ter o folheto em mãos para continuar lendo junto com aquele que está proclamando. Quando isso acontece é porque lá, desde a mesa da Palavra, a proclamação não está sendo a melhor possível. A partir do momento que tivermos uma boa proclamação litúrgica, o folheto vai deixando de ser necessário para acompanhar o texto. Com respeito ao canto, quando projetamos na tela, ela se torna mais ampla, favorecendo com que todos acompanhem. O que a Igreja orienta é que o uso dos audiovisuais não tirem a centralidade”.
Como mensagem às equipes litúrgicas das paróquias, Pe. Valdecir Bressani orienta que a partir do belo trabalho que já existe, que seja intensificada a formação: “Que possamos criar possibilidades de trabalharmos a dimensão da comunicação. Seja a formação teórica ou prática. Que tenhamos atenção ao texto bíblico proclamado e motivação à equipe de celebração. Todo gesto, sinal ou símbolo precisa ser bem usado, porque queremos comunicar aquilo que Deus quer. Estamos à disposição para melhorar cada vez mais a nossa prática litúrgica”.
Em anexo, áudio com entrevista com o Pe. Valdecir Bressani.