A imigração haitiana no Brasil teve início após o terremoto que abalou o país caribenho em 12 de janeiro de 2010. o governo brasileiro calcula que mais de 5.000 haitianos chegaram ao Brasil via Peru e Equador, e se instalaram de forma precária no Acre e no Amazonas esperando o visto permanente. 

O Brasil abriu uma exceção para os haitianos, em contraste com quem busca emprego vindo de países como Paquistão, Índia e Bangladesh, que chegam por rotas amazônicas similares, mas costumam ser expulsos.

“O Haiti está se recuperando de um período de crise extremo, e o Brasil tem condições de ajudar essa gente”, afirmou Valdecir Nicacio, que trabalha com direitos humanos no Acre. “Antes de chegarem aqui, eles ficam à mercê de traficantes humanos. O Brasil é grande o bastante para absorver haitianos que só querem trabalhar.”

Com o número de haitianos crescendo acentuadamente, as autoridades em cidades de fronteira no Amazonas, alertaram sobre os problemas de tentar alimentar e abrigar os haitianos enquanto os pedidos de visto são analisados.

Lidar com uma crise imigratória na fronteira é um novo dilema para o Brasil, que até recentemente estava mais preocupado com a saída dos próprios cidadãos que buscavam oportunidades em países ricos e industrializados, do que em atender a chegada de milhares de estrangeiros pobres. Passada a parte burocrática, estes imigrantes passaram a se espalhar pelo Brasil. Na região sudoeste do Paraná o município que acolheu vários imigrantes Haitianos foi Pato Branco. E nesta cidade, os Haitianos passaram a fazer parte do cotidiano. Tanto é que nem mesmo a barreira de falar outro idioma é capaz de impedir que uma criança vá à escola. Um exemplo dessa superação é a haitiana Naika Pierrylus, de 6 anos, que está morando em Pato Branco há quatro meses, e começou a frequentar as aulas na rede municipal de ensino esta semana. A menina está matriculada e se comunica com a professora e com os coleguinhas através de uma intérprete.

A garota chegou em outubro do ano passado com a mãe, Rachelle, pois o pai, Gesner Pierrylus, já estava morando no município há dois anos. Ambos trabalham em um frigorífico de aves de Pato Branco. A família fala um dialeto derivado do francês. O pai era professor e diretor de escola no Haiti e a mãe era dona de casa. Mesmo com a mudança de país e de profissão, eles acreditam que a mudança foi para melhor, já que o Haiti atualmente tenta se reerguer de uma situação deplorável. 

Esta é apenas a primeira semana de aula da pequena Naika, mas ela já está muito a vontade em meio aos coleguinhas. A garota é alfabetizada em seu idioma materno e esta  empolgada para começar os estudos sobre o português. Conviver com colegas brasileiros e aprender sobre uma nova cultura esta sendo muito interessante para a menina, que sorri o tempo todo e se mostra receptiva às novas experiências.