Lideranças do agronegócio de Santa Catarina entregaram nesta semana ao governador do Estado, Raimundo Colombo (PSD), uma carta de reivindicações, pedindo medidas urgentes no barateamento do custo do milho, principal produto para alimentação de suínos e aves, carros-chefe da economia catarinense. Em 90 dias, a saca do grão subiu de R$ 27,00 para R$ 42,00, um aumento de mais de 50%, ameaçando causar sérios prejuízos a avicultura e suinocultura de Santa Catarina.

O documento, assinado pelo presidente da Organização das Cooperativas de SC (Ocesc), Marcos Antônio Zordan, o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faesc), José Zeferino Pedrozo, e pelo presidente da Coopercentral Aurora Alimentos e diretor de agronegócio da Fiesc, Mário Lanznaster, é dirigido também ao governo federal, pedindo a intervenção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) na abertura de leilões para venda de milho e promover a transferência dos estoques do Centro-oeste para a região Sul do Brasil.

Pede-se também a concessão de subsídio de R$ 10,00 por saca transportada do centro-oeste para Santa Catarina a ser deduzida dos créditos de PIS e Cofins que as indústrias da carne têm junto à Receita Federal. O presidente da Aurora, em entrevista, destacou que a cooperativa conta com um estoque de milho para os próximos 60 dias, mas enfatizou que é preciso estancar rapidamente essa crise do milho, caso contrário, milhares de produtores e muitas agroindústrias de pequeno e médio porte fecharão suas portas, provocando milhares de desempregos na cidade e nova onda de êxodo rural no campo. “Muitos vão quebrar. É um tsunami que nós estamos enfrentando.”, alertou Lanznaster.

Atualmente, a produção de milho em Santa Catarina gira em torno de 2,5 milhões de toneladas ao ano. Desse total, 40% é transformado em silagem para a alimentação de gado de leite. Com ao abate de mais de 1 bilhão de aves e 12 milhões de suínos ao ano, o Estado precisa importar mais de 3,5 milhões de toneladas de milho, o que coloca Santa Catarina como o maior comprador do grão dentro do país.

O governador catarinense comprometeu-se em apresentar as demandas ao governo federal. Por sua vez, as entidades representativas esperam que a União dê uma resposta positiva, ao contrário do ocorrido em 2012, quando Santa Catarina enfrentou uma crise semelhante, porém, sem qualquer apoio do governo federal, ocasionando na quebra de milhares de criadores, no fechamento de dezenas de agroindústrias e na incorporação de tantas outras a grandes grupos econômicos.