Clima de conflito marca as últimas horas na Terra Indígena Kaigang de Palmas, sul do Paraná. Durante a madrugada aproximadamente 15 famílias foram expulsas do local e casas e veículos foram queimados. De acordo com denunciantes, o motivo foi a troca de liderança. Cacique se defende dizendo que grupo expulso não quer aceitar as regras da comunidade. Ninguém saiu ferido.

A denúncia do morador, Jovelino Vieira dos Santos, é de que após a troca de cacique, há um mês, começaram os desentendimentos entre os grupos que não aceitam a nova liderança. Acusou que há interesses de alguns em se apropriar das lavouras da comunidade.

Conforme ele, na noite de ontem(01),  um grupo de indígenas  ligados à nova liderança,juntamente com o próprio cacique,  chegaram em suas casas e os expulsaram do local,  ateando fogo em três residenciais e em três veículos que estavam próximos, dois Gols e um Ford/Pampa.

Conforme ele, houve disparos  para pressionar a saírem do local. Informou que tiveram que deixar a aldeia aproximadamente 50 pessoas, incluindo 15 crianças, apenas com a roupa do corpo. O fato também foi levado a conhecimento da Polícia Militar que esteve no local e formalizou Boletim de Ocorrência com as denúncias.

O cacique, Claudiomiro André, negou ter participado do conflito na noite de ontem e madrugada desta quarta-feira(02) e que tenha  

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utilizado arma de fogo. ” Não não temos armas, o que usamos são cassetetes de madeira para nos proteger”, disse ele. Garantiu que não tem envolvimento na ação de queima das casas e acusou os próprios moradores de terem ateado fogo nas moradias e automóveis, antes de deixarem o local.

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Fotos: Miranda/RBJ

Denunciou ainda que o grupo de opositores teria sequestrado duas menores e queimado duas motocicletas. Conforme ele,  grupo que foi expulso não aceita as regras novas impostas pela nova liderança. Informou que é a terceira vez que Jovelino Vieira dos Santos é expulso do local e, inclusive, teria assinado uma ata em que se comprometia a ficar calado enquanto estivesse na comunidade, aceitando todas as regras. Deixou claro que enquanto estiver na liderança as famílias não retornarão mais a aldeia. Salientou que agora o clima é de tranquilidade entre os 700 moradores do local. Conforme ele, um Conselho de Caciques deverá estar na aldeia resolver o impasse.