O ex-governador do Paraná, Jayme Canet Júnior, morreu nesta quarta-feira (31), aos 91 anos. Canet governou o Estado entre 1975 e 1979. Seu corpo está sendo velado no Palácio Iguaçu, sede do Governo paranaense. O sepultamento ocorre às 17h, no Cemitério Municipal de Curitiba. O Executivo Estadual decretou luto oficial de três dias.

Paulista de Ourinhos, Canet chegou à região Norte do Paraná na década de 30. Tentou seguir a carreira universitária, mas optou pela administração dos negócios da família, principalmente no ramo da cafeicultura.

Sua entrada na vida pública decorreu das ligações que mantinha com Ney Braga desde os tempos em que este era prefeito de Curitiba, em meados da década de 1950. Liderança econômica na região de Londrina, Canet coordenou a campanha de Ney em oposição ao candidato Souza Naves, que morreu durante a campanha e foi substituído por Nelson Maculan.

Com a eleição de Ney (1961-1966), Canet Júnior foi nomeado o primeiro presidente da Café do Paraná — Companhia Agropecuária de Fomento Econômico do Paraná. Nesse mesmo período atuou como representante do governo do estado na junta administrativa do Instituto Brasileiro do Café (IBC).

Seguiu junto ao governo de Paulo Pimentel (1966-1971) como presidente do Banco do Estado do Paraná (Banestado), desvinculando-se tempos depois do governo.

Durante o regime militar, após a renúncia do governador Haroldo Leon Perez em 71 e a morte do vice Pedro Viriato Parigot de Souza em 73, Canet foi nomeado vice-governador do Estado na chapa de Emilio Gomes, então o quarto nome a ocupar o Palácio Iguaçu no governo Médici.

Em outubro de 1974, por intervenção do então ministro da Educação do presidente Ernesto Geisel, Ney Braga, Canet foi indicado ao Governo do Paraná, decisão homologada pela Assembléia Legislativa

Tomou posse em 15 de março de 1975. Ao completar três meses de governo, Canet se depara com o seu primeiro grande desafio: a geada negra que atingiu o Paraná, dizimando as plantações de café do Norte do Estado, principal produto da economia paranaense.

Como governador e produtor rural, Canet buscou alternativas. Determinou que se encontrassem variedades de sementes de trigo que se adaptassem às condições de solo e clima do Paraná,  e já no ano seguinte, o Estado era o primeiro na produção do cereal. Fomentou a cultura da soja e do milho, que hoje colocam o Paraná na ponta da produção agrícola nacional.  Ainda na agricultura, buscou o desenvolvimento da pecuária leiteira, com a importação de bezerras do Canadá, às quais os produtores tinham acesso mediante pagamento com a primeira cria dos animais.

Fonte:Arquivo/Biblioteca Nacional
  • Compartilhe no Facebook

Fonte:Arquivo/Biblioteca Nacional

Na educação, somente em seu governo foram construídas 6 mil salas de aula. Na infraestrutura, o governo Canet notabilizou-se pelo programa programa rodoviária que asfaltou cerca de 4 mil quilômetros de rodovias em todo o Estado, dentre elas, boa parte das rodovias do Sudoeste do Estado, em especial a PRC-280.

Fonte:Arquivo/Biblioteca Nacional
  • Compartilhe no Facebook

Fonte:Arquivo/Biblioteca Nacional

Conforme matéria veiculada pela Revista Olhar, na edição de outubro de 2015, que contou parte da história da PRC-280, em julho de 1975, em visita ao município de Palmas, Canet anunciava o Programa Rodoviário do Sudoeste, que previa até o ano de 1979, a pavimentação do trecho entre Palmas e Pato Branco e de mais de 500 quilômetros de estradas na região. No ano seguinte, durante os festejos dos 97 anos de emancipação político-administrativa do município, o Governador anunciava o inicio oficial das obras da da rodovia.

Fonte:Arquivo/Biblioteca Nacional
  • Compartilhe no Facebook

Fonte:Arquivo/Biblioteca Nacional

Dois anos depois, no dia 14 de abril de 1978, com a presença do Governador, secretários de Estado, deputados estaduais e população em geral, era inaugurado o primeiro trecho da PR-280, ligando Palmas ao distrito de Santa Rita, interligando à BR-153. No mês de novembro, o governo anunciava a conclusão do trecho entre Palmas e Pato Branco. Passados quase 40 anos, a PRC-280 ainda é a mesma construída no Governo Canet.

Em 2015, a história da gestão Jayme Canet Junior virou livro. A publicação “No Tempo do Canet – a História do Paraná na Década de 1970” foi escrita por Belmiro Valverde Jobim Castor, Adherbal Fortes de Sá Jr. e Antonio Luiz de Freitas, que trabalharam ao lado do então governador na administração do Paraná.