A Diocese de Palmas-Francisco Beltrão promoveu uma Coletiva de Imprensa sobre a Campanha da Fraternidade de 2015, por ocasião de seu lançamento, na quinta-feira, 19, às 9h, na Casa de Formação Divino Mestre, em Francisco Beltrão. O tema da CF é: “Fraternidade: Igreja e Sociedade”
Lema: “Eu vim para servir”
Falaram sobre o tema Dom José Antonio Peruzzo (Administrador Apostólico da Diocese de Palmas – Francisco Beltrão); Adilson Francelino Alves (Doutor em Ciências Humanas; prof. Adjunto da Unioeste – Francisco Beltrão e Marechal Cândido Rondon); Célio Bonetti (Diretor da Agência do Desenvolvimento Regional do Sudoeste; Coordenador da Governança Regional do Plano de Desenvolvimento Regional Integrado); Pe. Deoclézio Wigineski (Pároco da Paróquia Santo Antonio de Dois Vizinhos e Assessor Diocesano das Pastorais Sociais).
O tema foi inspirado na comemoração dos 50 anos da Constituição Dogmática Gaudium et Spes do Concílio Vaticano II.
A CF 2015 tem como Objetivo Geral: “Aprofundar, à Luz do Evangelho, o diálogo e a colaboração entre a Igreja e a sociedade, propostos pelo Concílio Ecumênico Vaticano II, como serviço ao povo brasileiro, para a edificação do Reino de Deus.”
Para o Pe. Deoclézio Wiginéski, a Campanha da Fraternidade vem para despertar e reencantar: “Desde as lideranças, ser uma igreja missionária e servidora. A Igreja tem muito a dizer à sociedade, que é uma proposta do reino que vem de Jesus Cristo, que a vida seja respeitada, amada e valorizada. A Igreja, com esta Campanha, quer recuperar a verdade que liberta, a ética, a justiça, a solidariedade. A Igreja quer encantar o povo para questões mais vigorosas na sociedade como um todo, partilhando e se comprometendo, servindo para que o mundo seja melhor”.
De acordo com Célio Bonetti, a filosofia da Igreja é a base dos ensinamentos de Jesus Cristo: “Quando falava do servir, Ele era claro, Ele transcendia os poderes da sociedade, propunha um novo modelo. Esse é o velho paradigma que vem sendo discutido nos dois mil anos com grande dificuldade em superar esse paradoxo. O cristão é chamado a ser luz do mundo. Como Dom José falou, quem serve, é servido, essa é uma realidade latente. O serviço é grandioso, em minha vida, com quase setenta anos, procurei ser igreja em sociedade. Com a Juventude Agrária Católica, trabalhei na formação da pessoa para a sociedade”.
Disse o Prof. Dr. Adilson Alves que por muito tempo se confundiu Igreja e sociedade: “Hoje temos uma proliferação de religiões e de igrejas e esse debate, que a Igreja Católica lança, na reaproximação com a sociedade, vai retornar ao processo histórico. Quando a Igreja propõe como tema a questão da fé da sociedade, ela se coloca no campo onde o debate ético é uma guia para enfrentarmos os grandes e novos desafios, como por exemplo a concentração do poder econômico/político nas mãos de poucos. Se de tempos em tempos a sociedade vem se nutrir das religiões para buscar a esperança de que necessitam e continuar avançando para superar seus problemas, eu penso que nada mais acertado que os homens e mulheres encarrecados nesse momento em que o debate da Campanha vai para as famílias, façam uma opção ética no Senhor a quem servem, que sejam os mais pobres e menos favorecidos pela sociedade. O lema ‘Eu vim para servir’, leva exatamente a este o processo”.

Conforme Dom José Antonio Peruzzo não existe uma Igreja fora da história da humanidade: “Somos uma comunidade de filhos frágeis. Com o desenvolvimento científico, com tanto progresso econômico, tantas vitórias, tudo sugeriria que nós seríamos uma comunidade mais feliz. A Igreja pretende, partindo das lições que teve, incluindo até tropeços, mas ao lançar a Campanha da Fraternidade, não dar lições aos outros, queremos, sim, acordar a nós todos para a responsabilidade nos âmbito das relações interpessoais, comunitárias, com o meio ambiente. O que pretende a Igreja? Que acordemos para a responsabilidade que nos toca de maneira a tornar mais evidente que somos todos irmãos. Que não seja apenas consciência intelectual, mas consciência moral. A dor do outro me dói”.
O trabalho da Campanha da Fraternidade será enfatizado nos círculos bíblicos, tanto no Natal, como na Páscoa e nos demais meses do ano, esclarece dom José: “Nas novenas, nas famílias o tema da Campanha da Fraternidade é motivo de oração, de partilha, de questionamento de cristãos de que trabalho eu faço nas relações com a empresa da qual sou funcionário, das relações com os funcionários da qual sou empregador. Que todos os escaninhos da vida social sejam permeados de uma mentalidade renovada. Que eu possa ajudar o outro a crescer naquilo que nunca deveria faltar: consciência ética de que somos fraternidade. Falava, aqui, o sociólogo, que o papel da Igreja é decisivo para a formação da consciência ética. Realizar eventos é bem mais fácil do que criar e renovar mentalidades, mas é aí que se gera o futuro”.