A Diocese de Palmas-Francisco Beltrão realizou, no dia 14 de fevereiro, no auditório da Casa de Formação Divino Mestre (Francisco Beltrão), coletiva à imprensa sobre a Campanha da Fraternidade de 2013, que tem como tema “Fraternidade e Juventude” e o lema “Eis-me aqui, envia-me!” (Is 6,8). Participaram da composição da mesa: a professora Ozélia Nesi (Chefe do Núcleo Regional de Educação – Francisco Beltrão), policial Brizola (vereador e mentor do Proerd), Dom José Antonio Peruzzo (bispo diocesano), Débora Pupo (coordenadora diocesana da Pastoral da Juventude) e Pe. Douglas Fernandes (assessor diocesano da Pastoral da Juventude).

 

Dom José Antonio Peruzzo

 

 “Precisamos aprender a ouvir, não porque tudo o que dizem é o melhor, mas porque, se ouvidos, também são amados. Não existe educação sem afeto, é preciso hoje a cultura da interatividade. Mas também se não se oferecer aos jovens mensagens coerentes e integradoras, algumas outras mensagens vão eles ouvir. A juventude é a parte da humanidade mais bombardeada pelos contra-valores do nosso tempo. O fato ocorrido em Santa Maria ilustra bem uma mentalidade difusa. Oferece-se ao jovem um bom ambiente de diversão, mas pela vida deles poucos pensam. Isso é o retrato de uma cultura. Quando se trata de drogas, quem são os primeiros a serem golpeados? Nós precisamos a aprender a compreendê-los e a dialogar com eles. E dos jovens é preciso uma disposição a se deixar ensinar. Tudo isso não se aprende fora de casa. O grande caminho começa lá em casa, na família. Teremos que recuperar uma lição muito antiga, que pai e mãe se amem muito, que os filhos e pais tenham momentos de convivência e que nada substitua aqueles encontros familiares de intimidade. Se a TV,  a internet substituírem estes momentos de grandeza afetiva, certamente criar-se-ão vazios. Não se trata apenas de falar para jovens, mas para as famílias, porque há muitos adolescentes crescendo em ambientes cujos afetos andam trôpegos”.

 

Débora Pupo

 

 “Esta Campanha deseja, no contexto do Ano da Fé, mobilizar a Igreja e, o quanto possível, os segmentos da sociedade, a fim de se solidarizarem com estes jovens, favorecer-lhes espaços, projetos e políticas públicas que possam auxiliá-los a organizarem a própria vida a partir de escolhas fundamentais e de uma construção sólida do projeto pessoal. São palavras da Introdução do Texto-Base da Campanha da Fraternidade deste ano.

O contexto atual caracteriza-se como uma mudança de época, pois não são apenas simples mudanças que acontecem, visto que qualquer transformação, por mais natural que pareça, incide no modo como cada pessoa vê e julga a realidade que o cerca. Valores antes considerados como absolutos e indiscutíveis, hoje são facilmente questionados. Os critérios para reger a própria vida levam mais em consideração conceitos subjetivos e por vezes apenas individualistas, onde o bem estar da pessoa é o que deve ser levado em conta.

Diante desta realidade encontra-se a juventude, por vezes perdida, quase esquecida, ou cobrada demais por um sistema que não se preocupa em estabelecer fundamentos ou apresentar realidades sólidas para que os jovens construam sua vida e seu futuro. Atualmente falar de futuro parece quase um contrasenso, visto que o presente adquiriu valor e importância tão grande que nada mais se pensa que não preservar o presente e vive-lo ao máximo. Tal fenômeno recebe o nome de “presentismo”, ou seja, o que vale é o hoje e a capacidade de viver com intensidade a realidade presente sem qualquer preocupação com o futuro.

Ao colocar o jovem no centro da Campanha da Fraternidade deste ano, a Igreja deseja que possamos não apenas olhar para a juventude, mas também ajudá-la a desenvolver critérios sólidos e projetos de vida fundamentados no Evangelho como mensagem geradora de vida”.

 

Profª Ozélia Nesi

 

 “Eu acredito que o nosso espaço de escola é o ambiente aonde temos presentes os jovens todos os dias. É lá que construímos os seres humanos para o conhecimento científico, para a sua intelectualidade, para o encontro com o ser maior que é Deus. Quando falamos do jovem e a educação, falamos de espaço escolar, das dificuldades que nós, educadores, termos conosco, na sua grandiosidade, o cem por cento deles. Temos dificuldades de fazer com que o jovem permaneça no ambiente escolar. E muitas vezes nós os perdemos para o trabalho, para a prostituição, para as drogas. Nós, professores, temos o grande desafio de construir estes seres humanos. Vou convidar a sociedade como um todo para que se aproxime das nossas escolas para que, juntos, possamos construir a sociedade que realmente desejamos. A escola sozinha não consegue. A Igreja sozinha não consegue. Precisamos nos unir e juntos conseguiremos. O nosso desejo, enquanto educador, é que os nossos jovens saiam das nossas escolas, um ser completo. Que ele consiga realmente a dimensão que é Deus. Que nossos professores não sejam apenas repassadores de conhecimentos, mas que tenham a tranquilidade de poder conhecer o nosso aluno e de poder sentir nele a necessidade de, por muitas vezes, parar a sua aula e ouvi-lo nas suas dificuldades. Que possamos, nesse momento especial da Campanha da Fraternidade voltada para a juventude, construir firmemente caminhos que possam tirar os nossos jovens da droga e da prostituição”.

 

Pe. Douglas Fernandes

 

 “Quando se diz que a Igreja optou pelos jovens, significa que a Igreja está aberta a receber esses fatores novos. Mas não podemos esquecer a tradição e a história que a Igreja tem. A Igreja é a grande catequista da juventude, pois ela forma o ser humano em todos os seus aspectos. Prepara lideranças éticas para a sociedade e para a religião, trazendo bons frutos evitando caminhos errados para nossa juventude. Por isso a Igreja assume este papel diante da juventude.

Na Diocese de Palmas-Francisco Beltrão cada paróquia tem seu grupo de jovens; resgatamos a celebração anual do Dia Nacional da Juventude; temos a Escola de Lideranças Jovens; tivemos o projeto Rio que Cresce Entre Nós, quando conquistamos o primeiro lugar no Regional Sul 2 da CNBB Estado do Paraná; o Projeto Bote Fé, recebendo a Cruz e o ícone de Nossa Senhora, em preparação para a Jornada Mundial da Juventude”.

 

Policial Brizola

 

Falar de prevenção hoje é falar do espírito do jovem. Sabemos que prevenção é um grande desafio, mas possível. É prevenção à droga, à violência e a todos os males. E nós, adultos, temos que ter essa responsabilidade de tentar quantas vezes for necessário prevenir, informar e alertar a juventude. O jovem de hoje, será o adulto de amanhã e a sociedade não preparou o jovem pra assumir esta grande responsabilidade. Mas como fazer o bem em um mundo que muitas vezes age com injustiça. Muitos jovens estão presos em suas casas através da internet, mas desligado com a vida humana. Se o bem não ocupar o espaço, o mal vai ocupar.

 

Objetivo Geral da Campanha da Fraternidade

 

Acolher os jovens no contexto de mudança de época, propiciando caminhos para seu protagonismo no seguimento de Jesus Cristo, na vivência eclesial e na construção de uma sociedade fraterna fundamentada na cultura da vida, da justiça e da paz.

 

Objetivos Específicos

 

1. Propiciar aos jovens um encontro pessoal com Jesus Cristo a fim de contribuir para sua vocação de discípulo missionário e para a elaboração de seu projeto pessoal de vida;

2. possibilitar aos jovens uma participação ativa na comunidade eclesial, que lhes seja apoio e sustento em sua caminhada, para que eles possam contribuir com seus dons e talentos;

3. sensibilizar os jovens para serem agentes transformadores da sociedade, protagonistas da civilização do amor e do bem comum.

 

 

Pistas de ação em âmbito pessoal

 

– Despertar os jovens para o profundo sentido da consciência humana, que apela sempre para o que há de mais digno, justo e belo.

– proporcionar aos jovens oportunidades de diálogo com os pais, com os professores, com os sacerdotes, com os consagrados, com os seminaristas, com os catequistas, a respeito de seus projetos, de sua vocação, de seus desafios, de seus medos e de seus sonhos.

– auxiliar os jovens a se compreender nessa mudança de época e a tomar consciência da realidade da cultura midiática em que se encontram, percebendo valores, desafios e perigos.

– favorecer condições para que os jovens se abram à preciosidade da espiritualidade e da mensagem cristã, ao encontro profundo e sincero com Jesus Cristo.

– orientar os jovens para que adiram às organizações, instituições, diretórios acadêmicos em vista de seus direitos, da dignidade da vida humana e dos valores éticos fundamentais; incentivá-los para que se engajem na luta contra a violência infantil, contra o trabalho escravo, contra o tráfico humano e contra o narcotráfico.

– proporcionar condições para que os jovens formem, nas Dioceses, nas paróquias, nas escolas e nas universidades, grupos de voluntariado e, por meio das novas mídias, criem uma rede de trabalho solidário na área da saúde, da educação e da promoção humana.

– apoiar os jovens na organização de oficinas sobre temas ligados à promoção da vida, à espiritualidade, à vida missionária, ao compromisso político e ambiental.

– incentivar os jovens a produzir, em linguagem midiática, mensagens para serem veiculadas no formato de clipping eletrônico, videoclipes para o Youtube e para outras redes sociais.

 

Pistas de ação em âmbito eclesial

 

– Cuidar para que sejam propiciados aos jovens espaços e momentos para o seu encontro pessoal com Cristo. Favorecer os encontros de oração, os congressos, os cenáculos, seminários vocacionais, semanas jovens, jornada diocesana e paroquial da juventude.

– auxiliar os jovens para que encontrem na Igreja a acolhida maternal, amando-a e reconhecendo-a como educadora na fé e mestra de humanidades.

– organizar com carinho e com profundidade a catequese de iniciação cristã. A elaboração de um projeto catequético sólido, o uso de uma linguagem acessível e a revisão dos métodos são cuidados fundamentais que uma realidade eclesial não pode negligenciar. A difusão do catecismo jovem (Youcat) tem sido algo válido em muitas dioceses e possibilita ao jovem o conhecimento dos conteúdos fundamentais da fé cristã. A catequese de adultos, a catequese familiar e o catecumenato pós-batismal têm sido ricos celeiros de formação de cristãos autênticos e compromissados.

– aproveitar ocasiões para o estudo do Catecismo da Igreja Católica e para explanações acerca de artigos do Símbolo da Fé, no contexto do Ano da Fé, convocado pelo Santo Padre Bento XVI.

– promover, nas universidades, debates sobre a relação entre razão e fé, ciência e fé, sobre temas atuais relevantes, apresentados a partir da perspectiva da fé cristã: “laboratórios de razão e fé” sob a liderança de um coordenador competente, que discuta as questões da interface da razão e da fé; grupos de reflexão voltados ao aprofundamento da espiritualidade cristã em diálogo com o mundo contemporâneo.

– utilizar nas dioceses e paróquias, segundo suas condições, os novos recursos midiáticos de comunicação, não só para o anúncio do Evangelho e divulgação de eventos pastorais, mas também para uma catequese mais viva e atraente e para uma formação universitária mais abrangente. Hoje se percebe uma necessidade de readaptação dos centros catequéticos, cujos recursos pedagógicos são tantas vezes escassos ou obsoletos. A novidade do Evangelho pode ser ainda mais atraente quando utilizamos meios modernos de apresentação virtual e dinâmica. É importante a publicação de veículos de comunicação (jornal/revistas universitárias) impressos e/ou digitais, dedicados à divulgação do pensamento cristão em diálogo com o mundo contemporâneo.

valorizar e acolher os jovens, que devem ser vistos não só como o futuro da Igreja e da Humanidade, mas como o presente. Plenos de riqueza e de potencialidade, eles são fonte de testemunho de um verdadeiro amor a Cristo e à Igreja.

– reconhecer os jovens como sujeitos de direito, cuja voz deve ser ouvida, acolhida e respeitada. A criatividade dos jovens é fundamental e fecunda para os projetos, para os planos e para as ações pastorais. Suas opiniões e ideias devem ser acolhidas, discernidas e levadas a sério pelos pastores, pelos consagrados, pelos catequistas, pelos líderes eclesiais.

– oferecer aos jovens canais de participação e envolvimento nas decisões nas instâncias eclesiais, como Conselhos, Reuniões, Assembleias, Equipes, Coordenações.

– articular e potencializar em cada comunidade eclesial, a partir da criatividade e das sugestões dos jovens, grupos juvenis, pastorais da juventude, movimentos, encontros, espaços informais e culturais etc. Em espírito missionário, um grupo juvenil poderia comprometer-se a gerar outro grupo nas comunidades carentes de espaços juvenis.

– valorizar a diversidade e a contribuição específica das várias expressões juvenis locais na organização

 

O Cartaz

 

A Igreja, ao iniciar esta caminhada quaresmal, tem os olhos fitos na cruz, donde emana a comunicação do amor de Deus por nós, na entrega de Jesus Cristo, para que Nele tenhamos a vida (cf. Jo 10,10). Este gesto do Senhor é redentor, pois Ele vence todos os males e mortes que nos afligem, nos salva e descortina para nós um horizonte de esperança, expresso no rosto da jovem.

A cruz convida à fraternidade entre todos os povos, raças e nações, representados pelas diferentes cores e linhas que a percorrem. As tags, vistas no alto do cartaz, acenam para a comunicação rápida, a circulação de informações e as novas ambiências para encontros, as quais devem ser perpassadas pela mensagem libertadora da cruz e contribuir para o projeto de uma sociedade justa e solidária, segundo o Reino.

A Igreja com essa Campanha, cujo tema é “Fraternidade e Juventude”, chama a atenção para os desafios dos jovens na edificação do projeto de Deus, dentro do contexto de mudança de época. É um período marcado pela instabilidade dos critérios de compreensão e dos valores (DGAE, n.20), pelas novas possibilidades de interação e desigualdade de oportunidades, com fonte reflexo na vida dos jovens, quer das cidades, quer do campo.

A jovem, de braços abertos em forma de cruz, representa os que são transformados pela jovialidade comunicada pela ressurreição de Jesus, a boa nova por excelência, que nos fortalece. É com esse vigor que a jovem responde ao chamado de Deus, repetindo as palavras do profeta Isaías: “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8).