O primeiro caso de suspeito do vírus Ebola registrado no Brasil, foi constatado em Cascavel, no oeste do Paraná. O caso foi divulgado na quinta-feira (09), colocando Secretaria Estadual e Ministério da Saúde em alerta. O paciente suspeito de ter sido contaminado, trata-se de um missionário africano, Souleymane Bah, 47,     que partiu da capital da Guiné, um dos países mais afetados pela doença, no dia 18 de setembro.

Pedido de asilo do missionário. Foto:Fabio Canterno
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Pedido de asilo do missionário. Foto:Fabio Canterno

O voo fez escalas no Marrocos, em São Paulo e seguiu para a Argentina, onde o africano desembarcou. No dia 23 de setembro, ele seguiu para Dionísio Cerqueira, extremo-oeste de Santa Catarina, divisa com o sudoeste do Paraná e também com a Argentina, onde pediu refúgio à Polícia Federal.

Divisa Paraná/Santa Catarina/Argentina
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Divisa Paraná/Santa Catarina/Argentina

Desde então, o missionário percorreu o território paranaense, chegando até Cascavel, onde procurou atendimento médico na quinta-feira (09), relatando ter tido febre no dia anterior. Durante o atendimento, a sua temperatura corporal era considerada normal, e ele não apresentava qualquer sintoma característico da doença. Porém, pelo histórico febril e por ter vindo do continente africano, foi considerado como caso suspeito. O paciente foi colocado em isolamento na unidade e o caso foi comunicado pela Secretaria de Saúde do Paraná ao Ministério da Saúde.

Na manhã de hoje (10), Bah foi transferido para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, no Rio de Janeiro. Ele foi submetido ao exame que detecta o ebola e o resultado deve ser divulgado em até 24 horas.

A Secretaria de Saúde está monitorando 68 pessoas que mantiveram contato com o missionário. A maioria são pacientes e profissionais da unidade de saúde em que ele foi atendido. No entanto, a preocupação maior é com as pessoas que tenham tido contato com o africano, antes da internação. Entres essas, estão dois casais, que estavam na mesma casa que Bah ocupou em Cascavel.

Assim que recebeu o comunicado, o Ministério da Saúde enviou imediatamente uma equipe de infectologistas para o oeste do Estado, onde coordenarão as medidas de atendimento e a identificação de possíveis contatos para orientação e controle.

A DOENÇA

A primeira vez que o vírus Ebola surgiu foi em 1976, em surtos simultâneos em Nzara, no Sudão, e em Yambuku, na República Democrática do Congo, em uma região situada próximo do Rio Ebola, que dá nome à doença.

Morcegos frutívoros são considerados os hospedeiros naturais do vírus Ebola. A taxa de fatalidade do vírus varia entre 25 e 90%, dependendo da cepa.

Primeiramente, o vírus Ebola foi associado a um surto de 318 casos de uma doença hemorrágica no Zaire (hoje República Democrática do Congo), em 1976. Dos 318 casos, 280 pessoas morreram rapidamente. No mesmo ano, 284 pessoas no Sudão também foram infectadas com o vírus e 156 morreram.

Há cinco espécies do vírus Ebola: Bundibugyo, Costa do Marfim, Reston, Sudão e Zaire, nomes dados a partir dos locais de seus locais de origem. Quatro dessas cinco cepas causaram a doença em humanos. Mesmo que o vírus Reston possa infectar humanos, nenhuma enfermidade ou morte foi relatada.

O que causa o Ebola?

O Ebola pode ser contraído tanto de humanos como de animais. O vírus é transmitido por meio do contato com sangue, secreções ou outros fluídos corporais.

Agentes de saúde frequentemente são infectados enquanto tratam pacientes com Ebola. Isso pode ocorrer devido ao contato sem o uso de luvas, máscaras ou óculos de proteção apropriados.

Em algumas áreas da África, a infecção foi documentada por meio do contato com chimpanzés, gorilas, morcegos frutívoros, macacos, antílopes selvagens e porcos-espinhos contaminados encontrados mortos ou doentes na floresta tropical.

Enterros onde as pessoas têm contato direto com o falecido também podem transmitir o vírus, enquanto a transmissão por meio de sêmen infectado pode ocorrer até sete semanas após a recuperação clínica.

Ainda não há tratamento ou vacina para o Ebola.

Sintomas

No início, os sintomas não são específicos, o que dificulta o diagnóstico.

A doença é frequentemente caracterizada pelo início repentino de febre, fraqueza, dor muscular, dores de cabeça e inflamação na garganta. Isso é seguido por vômitos, diarreia, coceiras, deficiência nas funções hepáticas e renais e, em alguns casos, sangramento interno e externo.

Os sintomas podem aparecer de dois a 21 dias após a exposição ao vírus. Alguns pacientes podem ainda apresentar erupções cutâneas, olhos avermelhados, soluços, dores no peito e dificuldade para respirar e engolir.

Diagnóstico

Diagnosticar o Ebola é difícil porque os primeiros sintomas, como olhos avermelhados e erupções cutâneas, são comuns.

Infecções por Ebola só podem ser diagnosticadas definitivamente em laboratório, após a realização de cinco diferentes testes.

Esses testes são de grande risco biológico e devem ser conduzidos sob condições de máxima contenção. O número de transmissões de humano para humano ocorreu devido à falta de vestimentas de proteção.

Tratamento

Ainda não há tratamento ou vacina específicos para o Ebola.

O tratamento padrão para a doença limita-se à terapia de apoio, que consiste em hidratar o paciente, manter seus níveis de oxigênio e pressão sanguínea e tratar quaisquer infecções. Apesar das dificuldades para diagnosticar o Ebola nos estágios iniciais da doença, aqueles que apresentam os sintomas devem ser isolados e os profissionais de saúde pública notificados. A terapia de apoio pode continuar, desde que sejam utilizadas as vestimentas de proteção apropriadas até que amostras do paciente sejam testadas para confirmar a infecção.