Por Larissa Mazaloti

 

A câmara de segurança pública do Condef (Conselho de Desenvolvimento de Francisco Beltrão), ligada à Acefb (Associação empresarial de Francisco Beltrão) identificou como ponto negativo na cidade, a presença de crianças e adolescentes pedindo esmolas nas ruas centrais de Francisco Beltrão e os flanelinhas, alguns maiores de idade, mas que fazem das ruas um meio de ganhar dinheiro, na maioria das vezes, para sustentar o vício em drogas.

 

Para sensibilizar a população beltronense, Condef, secretaria municipal de Assistência Social, Conselho Tutelar e ABI (Associação Beltronense de Imprensa) estão unidos também com clubes de serviço para pedir: “Não dê esmola. Dê Cidadania”. Este é o mote da campanha que será anunciada oficialmente no sábado (04), às 9h30 no calçadão central.

 

A idéia é que as pessoas entendam que dar esmola não significa ser solidário ou estar contribuindo com a promoção social dessas pessoas. Para isso, será amplamente divulgado material de orientação, com os telefones indicados para que, qualquer cidadão ou cidadã, ao ver um pedinte, procure os responsáveis para apurar os fatos.

 

O coordenador da Câmara de segurança pública do Condef, Arion Cavalheiro Junior argumenta que a questão dos pedintes tem focos pontuais. “Não são muitos e já estão, na medida do possível, identificados. O que precisamos é solucionar os casos já existentes e combater o aumento desse problema”, esclarece. Para ele a campanha não tem como objetivo apenas a não doação da esmola, mas o direcionamento dessas pessoas para os programas sociais que existem na cidade. “Nossos programas são exemplares, mas o dinheiro fácil da esmola na rua compete com as medidas sócio-educativas”, conclui Cavalheiro.

 

Programas Sociais

 

Em Francisco Beltrão o trabalho realizado é reconhecido como positivo pela sociedade, no entanto, de acordo com um dos membros da equipe técnica e administrativa da secretaria municipal de Assistência Social, Leandro

 

Legramanti em 2010 é que se acentuou o caso dos pedintes. Na opinião dele os motivos que levam à rua são socioeconômicos, culturais, sociais e absolutamente de vulnerabilidade. “A ação deve ser articulada e de políticas públicas setoriais, com grande envolvimento de todos. Entendemos que ninguém merece receber esmolas, porque isso não é digno”, explica.

 

Se a campanha “Não dê esmola. Dê cidadania” estiver fortalecida, conforme Legramanti, os programas sociais também se fortalecem. Ele relata que há ações para todas as faixas etárias, mas pondera que a rua é mais atrativa para as crianças, principalmente quando ganham dinheiro. “Com a esmola, as pessoas conseguem o poder de aquisição, podendo comprar coisas que gostam”, diz.

 

A lógica do capitalismo como origem d aproblemática é lembrada pela psicóloga do Creas Novo Cidadão (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), Sabrina Machado que destaca que todas as pessoas têm desejos materiais que os menos favorecidos também têm. “As crianças e os adolescentes que estão nas ruas possivelmente não criaram um vínculo positivo com a família e com a escola”, argumenta e afirma que na maioria dos casos, depois de ir para a rua é que conhecem as drogas. “Não é a droga que os leva para a rua, é a rua que apresenta a droga para eles”, justifica.

 

Para Sabrina, não é comum que haja pais explorando a situação diretamente, mas a partir do momento que perdem o limites e que não são capazes de manter os filhos próximos à família, passam a ser corresponsáveis. Ela afirma que quem dá esmola também tem responsabilidade pelo problema. Ela esclarece ainda que quando menores de idade oferecem produtos para venda, a orientação é de que não compre. “Trabalho infantil é crime. Nossos programas são de longo prazo: profissionalizamos para no tempo certo colocá-los no mercado de trabalho”, enfatiza.

 

A assistente social do Creas, Vanice Fedrigo afirma que toda a pessoa, independente de classe social ou condição financeira, quer ter a possibilidade de consumir. “Na rua eles conseguem isso, seja para drogadição, lanches, doces, roupas…”, detalha. Vanice garante que a intenção dos programas sociais no município, mais do que promover a sustentabilidade financeira é promover a cidadania e tornar os menores de idade de hoje em adultos pensantes com capacidade para o trabalho e para gerir a própria vida com dignidade.

 

Segundo o presidente do Conselho Tutelar, João Ernesto a abordagem dos pedintes é muito delicada. Ele relata que muitos que são levados para casa voltam para a rua no mesmo dia. Além da sociedade, as famílias devem estar mobilizadas para planejar o estudo dessas crianças e adolescentes para que fiquem em casa, para que não tenham necessidade de se afastar dos pais. “Não é dando esmola que será dada a dignidade”, alerta.

 

 

Ouça a entrevista que foi ao ar, ao vivo na Onda Sul FM