Durante audiência pública realizada na Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM), a Secretaria de Direitos Humanos (SDH) da Presidência da República garantiu a continuidade pela busca dos corpos das vítimas da chacina ocorrida no Parque Nacional do Iguaçu, durante o regime militar. A audiência pública, convocada pelo presidente da CDHM, deputado Assis do Couto, aconteceu na tarde desta quarta-feira (21), em Brasília. A retomada das buscas está programada para o segundo semestre deste ano.

Além do deputado Assis, participaram do debate o professor da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Dr. Antonio Marcos Myskiw, o pesquisador, Aluizio Palmar, Lilian Clotilde Ruggia, familiar de uma das vítimas, Rosa Cardoso, representante da Comissão Nacional da Verdade, Ricardo Vizentin, presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Rafael Schincariol, coordenador-geral da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos da SDH, e a jornalista Juliana Dal Piva.

O professor Antônio deu início às exposições, contando um pouco das histórias de luta que marcaram a região de fronteira com a argentina. Na sequência, Aluízio Palmar falou sobre seu livro “Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?”, e pontuou um dos objetivos da audiência pública. “Precisamos buscar estes nossos companheiros desaparecidos. Que bom que este debate chegou em Brasília. Antes, Brasília ia até nós, pois realizamos audiências públicas em Foz do Iguaçu, onde esclarecemos muitas questões, mas tivemos poucos avanços”, comentou.

Aluízio foi o primeiro a convocar o governo argentino a participar do processo de buscas, pelo fato de um cidadão daquele País ter sido vítima da chacina, além de outros cinco brasileiros. A irmã do argentino Enrique Ruggia, Lilian Ruggia, estava presente e deu um depoimento emocionante após a fala de Aluízio.

“A história que não conhecemos, se repete. Se não tornarmos público o que passamos, nosso sofrimento será em vão e poderá se repetir”, afirmou Lilian. E completou: “Poderão sofrer nossos netos, nossos filhos. E não importa se são nossos ou dos outros. Por isso, eu estou aqui com muita ansiedade que podemos impulsionar a investigação deste caso, a busca pelos corpos”.

Após uma fala da deputada Luiza Erundina, que hoje preside a subcomissão Memória, Verdade e Justiça, a jornalista Juliana Dal Piva, que teve a chance de entrevistar o coronel, Paulo Malhaes, morto antes de poder confirmar a participação na audiência pública, acrescentou detalhes importantes ao fato ocorrido em 1974 no interior do parque.

Rosa Cardoso, da Comissão Nacional da Verdade, fez uma prestação de contas das investigações já realizadas no local e, juntamente com Rafael Luiz Feliciano da Costa Schincariol, garantiu a continuidade dos trabalhos. O ICMBio, através do presidente Vizentin, também tornou público o apoio às buscas pelas vítimas.

Assis do Couto avaliou positivamente a audiência pública. O deputado sugeriu a elaboração de um protocolo de cooperação entre o governo, a Comissão de Direitos Humanos, a Comissão Nacional da Verdade, e a Secretaria de Direitos Humanos, como encaminhamento da audiência pública.

“Neste relatório, precisamos ter objetivos claros, e inclusive recursos disponíveis para que possamos dar continuidade a estas buscas”, afirmou Assis do Couto. O deputado também agradeceu a presença de todos que participaram do debate e a audiência de alunos de escolas na região Sudoeste que acompanharam a transmissão da audiência pública. “Muito obrigado ao empenho e atenção dos alunos e professores de planalto por incentivar os alunos a conhecer este pedaço esquecido da história de nossa região”, concluiu.