A beltronense Débora Barbosa (21), se tornou inspiração para muitos brasileiros pela força de vontade, disciplina e principalmente pela garra com que enfrenta os desafios de morar e estudar em outro país desde os 15 anos. Fluente em 7 idiomas, está em constante aprendizado, buscando novos desafios envolto a esse universo.

+  A inspiradora trajetória de sucesso da beltronense Débora Barbosa

(Foto: Arquivo Pessoal)
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(Foto: Arquivo Pessoal)

Continuamos a entrevista, conhecendo um pouco da trajetória da estudante que inicialmente havia decidido fazer faculdade nos EUA. “Cheguei até a passar o exame que eles têm (SAT), mas não gostava do país. Entrei em contato com a minha agente do intercâmbio e pedi ajuda com a faculdade, ela me inscreveu para Manchester. Com meu diploma americano, e passando o teste de inglês para nível universitário, fui aceita para estudar na Inglaterra. No entanto, o Reino Unido tem um sistema diferente quando se trata de alunos não britânicos. Para podermos cursar bacharelado, temos que ter um ano de fundação obrigatória onde aprendemos como funciona no país o que queremos estudar. Após um ano recebi esse diploma e já comecei no curso que estou agora na Universidade de Salford. Foi no meu primeiro dia de aula que vi a oportunidade de ser voluntária no Manchester United.”

“Em setembro desse ano, volto aos estudos para o último ano do meu bacharelado em administração e negócios aqui em Manchester. Esse ano letivo fiz o placement, uma oportunidade que as universidades oferecem para os alunos que querem adquirir experiência de trabalho antes de receberem o diploma. Então, entre o segundo e terceiro ano, o aluno trabalha em tempo integral em alguma companhia na área que quiser para ganhar experiência e também ganhar algum dinheiro. Trabalhei seis meses em finanças corporativas e agora terminando outros seis meses em propaganda e publicidade. ”

Débora atuando como tradutora de David De Gea e Angel Di Maria. (Foto: Arquivo Pessoal)
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Débora atuando como tradutora de David De Gea e Angel Di Maria. (Foto: Arquivo Pessoal)

Um dos trabalhos que traz maior visibilidade para Débora é sem dúvida o fato de ela ser intérprete no clube mais poderoso do mundo. “Quando solicitado, traduzo os jogadores do Manchester United, meu trabalho no clube tem sido bem comentado por conta de tudo que faço. Nesses três anos envolvida com eles, já trabalhei traduzindo jogadores famosos como David De Gea, Angel Di Maria, Marcos Rojo, Segio Romero, Antonio Valencia, ganhei um estágio dentro dos escritórios de propaganda e sponsors onde fui treinada pelos empregados no topo do Manchester United, aprendi anos de informação em poucas semanas. Também trabalhei na abertura de jogos importantes, balançando bandeiras no meio do estádio em abertura da Champions League e fiz muitas horas de serviço voluntário com a Fundação e muitas outras coisas em pequenas proporções.”

Débora com Marcos Rojo e Romero (Foto: Arquivo Pessoal)
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Débora com Marcos Rojo e Romero (Foto: Arquivo Pessoal)

Ela conta como aconteceu o convite: “Chegando na Inglaterra, percebi a oportunidade quando vi o Manchester United e seus muitos jogadores hispanicos. Ofereci ao clube que colocassem para fazer traduções. Depois de dois meses trabalhando com eles, um dia fui chamada pelo meu supervisor e ele me perguntou o seguinte. ‘Em duas semanas temos um evento com dois de nossos mais valiosos jogadores, Di Maria e De Gea. Precisamos que você os traduza o dia inteiro em um evento para uma escola. Aceita?’ Lógico que não deixaria passar.” Porém, era um desafio grande e com um curto prazo de preparação. “Eu tinha duas semanas para afinar minha audição o suficiente para estar fluente no sotaque Argentino e Espanhol (cada país hispanico tem um sotaque, são bem diferentes). Foram 15 dias direto absorvendo o espanhol todo o tempo em tudo que fizesse. No dia do evento, sucesso absoluto! O clube gostou tanto do meu trabalho que me chamou para eventos ainda maiores várias outras vezes.”

Com essas conquistas, aos 19 anos, Débora, se tornou a pessoa (que não nasceu no Reino Unido) mais jovem a estar dentro desses escritórios, motivo de orgulho para toda a família.

Miniatura em 3D (Foto: Arquivo Pessoal)
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Miniatura em 3D (Foto: Arquivo Pessoal)

Atualmente a beltronense está focada em um terceiro trabalho, em parceria com uma companhia de Londres. “Sem dúvidas, esse trabalho é o que mais consome meu tempo. Alguns meses atrás fechei uma parceria com uma companhia pequena em Londres, que cria figuras 3D que são exatamente iguais a eu ou você ou qualquer outra pessoa. Essa companhia é a primeira no mundo a experimentar tal produto e hoje temos orgulho em dizer que nenhuma outra companhia tem nossa tecnologia, já que criamos nosso próprio scanner e a maneira de imprimir as figuras. ” Ela se mostra otimista e diz que pretende levar essa tecnologia a outros países. “Meu maior projeto no momento é trazer essa tecnologia 3D para outros países, incluindo o Brasil. Espero que isso possa acontecer logo! Depende muito de quanto interesse podemos gerar com a população. ”

 

Idiomas

Débora fala 7 idiomas: Inglês, Português, Espanhol, Russo, Alemão, Italiano e Chinês, cada um com domínio em intensidades diferentes. “A quantidade de informações que isso me dá acesso, é incrível!” Segundo ela, o aprendizado de cada idioma está ligado com sua personalidade, e cita-os em ordem de importância na sua vida.

Cada vez que uso cada língua, é como se eu ajustasse a minha personalidade. (Débora Barbosa)

Inglês: “É o idioma que mais tenho usado nos últimos 6 anos, uso para tudo que é importante e de caráter sério, como trabalho e estudos. Utilizo melhor quando quero resolver um problema ou expressar o que penso.”

Português: “Nasci no Brasil, toda minha família é brasileira e cresci usando o português, no entanto, nos últimos seis anos apenas utilizo para falar com meus familiares. Tenho essa língua associada com minha infância, com amor e coisas que estão no passado. O português eu uso melhor para descrever meus sentimentos.”

Espanhol: “Penso que os brasileiros não dão valor a vantagem que é sermos vizinhos de tantos países que tem espanhol como língua! Nos EUA, meu colégio tinha aulas de espanhol. Como era a única língua que ofereciam, me matriculei no nível mais fácil, pois não sabia nem uma palavra, ou eu pensava. Já no primeiro dia, sabia mais que os próprios alunos hispanicos na turma. Por ter prestado bastante atenção na língua portuguesa quando era criança, eu sabia bem a gramática que é muito parecida com a do espanhol. Assim, na semana seguinte pedi que me colocassem na turma mais avançada, onde sai do ensino médio com um bom conhecimento do espanhol. Em todos os países que fui, os latinos sempre foram os mais amigáveis. Assim, o Espanhol eu associo com alegria, festa, dança, energia mesmo.”

Russo: “De todos os idiomas que já aprendi, esse é o meu favorito. Meu interesse veio do fato que a Rússia em si sempre foi bem polêmica, tinha muito interesse em entender o lado deles. Na Inglaterra, me deparei com uma acomodação de estudantes com mais de 300 vindos de pelo menos 50 países diferentes, países que nunca nem ouvi falar! Meu primeiro namorado, era de uma pequena república pertencente a federação russa, como não conhecia ninguém no país, passei a sair com ele e seus amigos, todos falantes de russo, mas de países diferentes. Assim, dia após dia eu ia ouvindo, aprendendo palavras, expressões e absorvendo tudo como uma esponja. Decidi que era hora de aprender a ler e escrever. O alfabeto russo, é o alfabeto cirílico que usa letras completamente diferentes do nosso, atributo que me atraiu bastante também. Aprender a ler, escrever e pensar em russo foram algumas das coisas mais complicadas que já fiz, é completamente diferente de qualquer outra. Sempre fui apaixonada por história, o que levou a um enorme interesse em política, comecei a ler e assistir documentários ou entrevistas em todas as línguas que podia. Assim, o russo para mim está ligado a conhecimento, poder, a política, ao perigo, coisas que são complicadas, mas que valem a pena entender.”

Cidade onde Débora estudou na Alemanha (Foto: Arquivo Pessoal)
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Cidade onde Débora estudou na Alemanha (Foto: Arquivo Pessoal)

Alemão: “Aprender essa língua, para mim, foi simplesmente um movimento estratégico, sabia da importância da Alemanha no mundo e da língua na Europa. Escolhi então, para meu intercâmbio, Frankfurt por causa do poder financeiro da cidade. Na Alemanha, nossas aulas eram em inglês, tinham aulas de alemão que ajudavam, mas eu não gosto que me ensinem idiomas, gosto de aprender sozinha. Então, decidi não atender as aulas no primeiro semestre só para ter um desafio de aprender por conta, já tinha estudado os básicos da língua no meu primeiro ano de universidade, estava confiante, porém, no final desses seis meses, ainda não conseguia entender o alemão. Na metade do meu ano de intercâmbio, conheci meu atual namorado que é da Croácia, mas foi criado na Alemanha. Passei a conviver diariamente com ele e seus amigos que falavam em alemão o tempo todo. Comecei a estudar pesado por conta, usei muito da música para isso, como com todas as línguas que aprendi, inclusive adoro rap alemão! Hoje, tenho que me comunicar com os pais do meu namorado em alemão e com o resto da família em Croata, que eu já aprendi um pouquinho, pois pertence a mesma família do Russo. O alemão para mim ficou associado ao esforço, a cultura alemã de trabalhar o tempo todo, a expressão de ideias e ideais, algo sério e também tem a pronúncia, a que mais gosto entre todas as línguas que aprendi!”

Italiano: “Tenho na minha família sangue italiano como muitos no sul do Brasil. Sempre cresci ouvindo palavras, frases, expressões… Quando estava nos EUA, comecei a estudar também por conta o idioma italiano. Desde que moro na Europa fui várias vezes a Itália esquiar, tenho amigos locais e assim acabo aproveitando as chances para praticar. Sigo páginas de notícias no facebook em todos os idiomas que conheço, assim consigo ler o que está acontecendo através de várias perspectivas diferentes e me mantenho praticando a língua. O italiano para mim está bastante associado a comida boa, receitas deliciosas, família, avós e assim como português, gosto de usar para expressar sentimentos.”

Chinês: “Essa língua é bem recente para mim, pois faz alguns meses que estou estudando-a também em casa e por conta. Tenho vários amigos chineses e fui para a china sabendo algumas palavras básicas. Ainda estou no básico, mas o suficiente para sobreviver, troquei algumas palavras com chineses que conheci por aqui e eles ficaram impressionados. Minha meta é dedicar mais tempo com essa língua, até que esteja no nível das outras. O motivo principal pelo qual decidi aprender chinês é a importância da China, principalmente no futuro. Para mim o chinês está associado ao desconhecido, exótico, ao futuro.”