O governo brasileiro anunciou na segunda-feira que se prepara para trazer 6 mil médicos cubanos para trabalhar no interior do Brasil e, ontem, afirmou que pretende atrair também profissionais de Portugal e Espanha para trabalhar nas regiões mais carentes e no interior do país.

No ano passado, 182 profissionais que estudaram em faculdades cubanas se inscreveram para revalidar seus diplomas no Brasil, e apenas 20 foram aprovados — algo em torno de 11%. Em 2011, dos 140 inscritos, apenas 15 passaram. O total de médicos com diplomas estrangeiros inscritos para a revalidação em 2012 foi de 884, dos quais 77 foram autorizados a atuar no país.

O CFM alega que mesmo os profissionais estrangeiros não têm se fixado no interior. Segundo ele, dos quase 7 mil médicos de outros paí­ses que revalidaram diplomas no Brasil nos últimos dez anos, 42% estão no estado de São Paulo.  Sobre as críticas do CFM à decisão, o ministro da Saúde disse que concorda que “a contratação tem que considerar a qualidade e a responsabilidade desses profissionais.”

Desproporção

Dados do Ministério da Saúde mostram que no Brasil existe 1,8 médico para cada mil habitantes. Na vizinha Argentina, a proporção é quase o dobro, de 3,2 para cada mil. Em países como Espanha e Portugal, na Europa, essa relação é de 4 médicos.

Médicos são contra

A decisão do governo brasileiro gerou manifestação contrária das associações médicas no país. A Associação Médica do Paraná é solidária as demais e ajuda organizar um documento para que o governo desista dessa ideia. Nesta quarta-feira (08), o presidente da entidade, médico João Carlos Gonçalves Baracho concedeu entrevista à Onda Sul FM e explicou o porquê da contrariedade. Um dos motivos seria a falta de incentivos públicos para os médicos, principalmente aqueles que atuam no interior do País.

Também na entrevista, João Carlos destaca que o Paraná tem ótimos cursos de medicina, inclusive, nas universidades estaduais, como a UEL e Unioeste de Cascavel e Francisco Beltrão.