O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MPPR) cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, no âmbito da Operação Mustela, que apura um esquema parar furar a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) no estado.

As ordens judiciais foram cumpridas em três albergues, que pertencem a uma casa de apoio, e em uma residência. Os imóveis ficam em Curitiba e em Campo Largo, na Região Metropolitana.

Segundo o Gaeco, foram apreendidos documentos, dinheiro e aparelhos de telefone celular. O material coletado pode ajudar a comprovar o suposto envolvimento do proprietário da casa de apoio na intermediação de cobrança de valores de pacientes para o internamento em hospitais pelo SUS, conforme o MPPR.

A suspeita é de que o investigado, que não teve o nome divulgado, burlava a fila do SUS, passando pacientes na frente de outros prioritários, a partir de seus contatos nas unidades de saúde. As investigações são conduzidas pela 1ª Promotoria de Justiça de Campo Largo.

Denúncia e afastamento
O MP-PR divulgou, nesta quinta-feira, que uma nova denúncia relacionada à Operação Mustela foi recebida pela Justiça. A decisão é de 22 de maio. De acordo com a denúncia, os quatro acusados cobravam indevidamente de pacientes para furar a fila de prioridades do SUS.

Os acusados são o médico ortopedista Marcel Sangeroti, a secretária dele, Taiana do Carmo, o vereador de Bandeirantes, no Norte Pioneiro, José Carlos Martins, conhecido como Zé Mano, e o assessor do deputado Nelson Luersen (PDT), Sérgio Danilo Schmitt.

Com o recebimento a decisão, o grupo passou a responder, na Vara Criminal de Campo Largo, pelo crime de concussão, que é quando a pessoa usa o cargo público para exigir vantagem indevida. A pena prevista para o crime é de dois a oito anos de reclusão. Nenhum dos réus tem advogado cadastrado no processo.

O deputado estadual Nelson Luersen (PSD) confirmou ao G1 que Sérgio Danilo Schmidt é assessor no gabinete dele, mas disse que desconhece a denúncia e qualquer atividade de Sérgio relacionada ao SUS.

Na decisão que recebeu a denúncia do MPPR, o juiz Ernani Mendes Silva Filho determinou o afastamento das funções do médico Marcel Sangeroti e a proibição de que todos os acusados mantenham contato de qualquer tipo com as pessoas identificadas no processo como vítimas das cobranças indevidas.

A Operação Mustela
As investigações sobre a organização criminosa começaram em 2017, e o MPPR identificou 800 vítimas do esquema de propina entre médicos e empresários para furar a fila do SUS no Paraná. Os pacientes são de todas as regiões do estado.

Noventa e sete deles prestaram depoimentos e contaram histórias parecidas de que tiveram que pagar por um procedimento médico que deveria ser feito pelo SUS.

A primeira fase da operação foi deflagrada em dezembro de 2018. Ao todo, 13 pessoas foram presas e 44 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, incluindo no gabinete do então deputado estadual Ademir Bier na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep).

Procurado nesta quinta-feira pelo G1, o ex-deputado estadual Ademir Bier reafirmou que refuta veementemente o seu envolvimento em qualquer ilícito e voltou a manifestar respeito e admiração pelo trabalho do Ministério Público e do Poder Judiciário, dizendo acreditar na apuração do caso com responsabilidade.

Em 14 de maio deste ano, sete investigados da Operação Mustela já tinham sido denunciados pelo crime de concussão por envolvimento no esquema. Entre eles também havia um médico, que também foi afastado de suas funções por determinação da Justiça.

Fonte: G1 Paraná