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Após dois anos, José Frizanco é julgado pelo desaparecimento da esposa

por Evandro Artuzzi em 14 de junho de 2018 9:05
por Evandro Artuzzi em 14 de junho de 2018 9:05

“Não estou envolvido em nenhuma dessas ‘maracutaias’ que fizeram, e eu quero provar isso com plena certeza, com moral, com ética. Só tenho uma pra dizer: nem a minha liberdade minha gente e nem a Marli retornando, eu volto a ser um homem normal como eu era antes.”

A afirmação é de José Frizanco, 60 anos, acusado pelo desaparecimento da esposa Marli da Silva Frizanco. O fato ocorreu em 29 de junho e, desde então, a costureira nunca mais foi vista. José está preso desde novembro de 2016 e sempre negou envolvimento no sumiço da mulher. Suspeitando que ela tivesse sido assassinada pelo marido, por várias vezes, a polícia fez buscas na residência do casal, no Bairro Vila Nova, e também em propriedades rurais de Francisco Beltrão e Nova Esperança do Sudoeste, mas nunca encontrou nenhum vestígio da costureira.

Na terça-feira (12), José Frizanco atendeu a reportagem da Onda Sul FM e da TV Guará/Rede Massa. Foto: Chico Correa

Na última terça-feira (12), José Frizanco, que vai a júri popular nesta terça-feira (14), aceitou gravar entrevista. Com exclusividade, falou pela última vez antes do julgamento. A conversa foi autorizada pela justiça, com aval do acusado e de seu defensor, o advogado Eduardo Ries.

No inicio da conversa, Frizanco lembrou momentos do casamento, que durou 25 anos, citando que amava a família e que está sendo vítima de falsas acusações. Ele afirma que pessoas que não o conhecem estão insinuando coisas e tem a plena convicção que Marli fugiu com outro homem. “Falam e não provam nada, o que eu falo eu provo tudo, a Mari por ter vazado, pode ter dado no pé, como ela vivia dizendo.”

Em outro momento da entrevista, reclamou das inúmeras buscas feitas em sua residência, bem como, a presença constante de pessoas no local. Também se referiu a uma arma que foi encontrada na residência, escondida sob a mesa. “Essa arma estava em meu poder há 39 anos e não tem nada a ver, era apenas para defender minha família. (…) minha casa, que foi praticamente uma vida pra conseguir, trabalhando doente debaixo de chuva, hoje se tornou um objeto de espiação, isso não poderia ter ocorrido, jamais.”

Insistindo na inocência, José Frizanco volta a afirmar que Marli teria fugido com outra pessoa. “Foi visto a Marli pós o desaparecimento, com três testemunhas assinado e tudo, embarcar num veículo no dia 30 de junho, foi visto por pessoas que não mentem e tenho provas.” 

José Frizanco está com 60 anos. Teve a prisão decretada pela justiça em novembro de 2016. A prisão já dura um ano e sete meses. Nesse período se diz injustiçado e lembra alguns episódios. “Eu passei por duas rebeliões tenebrosas, uma delas não sobrou nada, eu podia ter sido morto, mas não é só isso. Muitas vezes eu deitei numa laje fria com esses problemas de saúde e teve uma ocasião que estávamos em 15 dentro do X (cela) e tive que passar a noite em pé, acordado por que não tinha lugar para deitar.”   

Marli da Silva Frizanco sumiu no dia 29 de junho de 2016. Foto: Arquivo RBJ

Apesar de suas declarações nessa e em entrevistas anteriores, negando o envolvimento no desaparecimento da esposa, as filhas do casal Edilaine e Eliane afirmam que o relacionamento de José e Marli sempre foi bastante conturbado. Numa reportagem recente, Edilaine garante que o pai é o único responsável pelo desaparecimento da mãe. “Meu pai, desde que eu tenho cinco anos eu lembro dele batendo na minha mãe, e para as pessoas de fora ele é um amor, dentro de casa não dava pra conviver com ele, sempre batendo e gritando, a gente tem certeza por que pra mim e pra minha irmã e falou que matar não era crime.”

Eliane Frizanco é a filha mais nova. Na época do desaparecimento de Marli, estava grávida de quatro meses e tem certeza que a mãe não sumiria de casa num momento como esse. “Nossa mãe sempre fez de tudo por nós e na hora que eu mais precisei dele, ela não estava mais ali com nós. Ela chegou a ir comigo numa ultrassom, eu fiquei com e lembrança dela sorrindo quando ouviu o coraçãozinho do bebê, cada dia é uma angústia muito forte por não ter feito o enterro dela né, a dor não passa, mas pelo menos a gente teria aliviado um pouco por saber onde ela tá né.”

Culpado ou inocente. Hoje no banco dos réus, José Frizanco será julgado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Apesar dele sempre negar qualquer envolvimento nesses crimes, o ministério público afirma que tem provas testemunhais e documentais que mostram que o réu é realmente culpado.

Na denúncia do Ministério Público o acusado teria cometido o assassinato por vingança e por não aceitar que a esposa estaria mantendo um relacionamento amoroso com um outro homem. Durante o júri devem ser ouvidas 23 testemunhas de acusação. Já a defesa não arrolou nenhuma testemunha e sustenta a versão de que faltam provas e que não há materialidade do crime para condenação de José Frizanco.

A sessão no tribunal do júri inicia as 9 horas da manhã desta quinta-feira. Será presidido pela juíza Janaína Monique Zanellato Albino, tendo na acusação a promotora Silvia Skaetta Nunes. A defesa de Frizanco estará a cargo do advogado Eduardo Ries. Toda a movimentação e as informações no transcorrer do julgamento você pode acompanhar pelo Onda Sul FM. A previsão é de que o julgamento se estenda por cerca de 48 horas.

Ouça reportagem Onda Sul FM….

Nesta quinta-feira, dia 14 de junho, acontece no Fórum de Francisco Beltrão o julgamento de José Frizanco, acusado pelo…

Posted by Evandro Artuzi on Wednesday, June 13, 2018

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