Por Evandro Artuzi
O abate de várias cabeças de bovinos em propriedades rurais de Francisco Beltrão, nas comunidades de Linha Triton e Rio Tuna, tem levantado uma suspeita dos moradores desses locais. A maioria desconfia que o responsável pela morte e furto de algumas partes da carne é o foragido da justiça Gilmar Reolon, desaparecido desde janeiro de 2010 após o incêndio de sua residência na comunidade de Linha Lajeado Grande, Enéas Marques, onde morreram carbonizados a esposa, os filhos e sua sogra. Os moradores assustados acreditam que desde aquela época Reolon está morando no mato e abate os animais para complementar sua alimentação, já que apenas pequenas partes são levadas.

 

Nos últimos meses moradores dessas duas comunidades contabilizaram a morte de 13 animais de várias propriedades. Na tarde desta quinta-feira (22/11), nossa reportagem percorreu a comunidade de Linha Triton em visita a algumas vítimas. O primeiro morador que nos acolheu na propriedade foi o senhor Luiz Deon, que teve uma novilha abatida na sexta-feira (16), provavelmente durante a madrugada. “O jeito que tava o animal ali deve ter sido entre as 02 e 04 horas. Foi levada uma parte do peito (granito) e a paleta, que foi desossada”, disse.

 

Luiz está muito preocupado com a situação, não pelo prejuízo que sofreu, mas pelo fato de alguém estar rondando as propriedades e causando medo e desconforto aos agricultores da comunidade. O agricultor é o primeiro a lembrar do nome de Gilmar Reolon como principal suspeito. Outro caso foi registrado na propriedade de Juracy Tonello, onde três animais foram abatidos entre os meses de agosto e outubro. No último registro, o fato foi percebido e o autor fugiu do local sem levar nada, relatou a vítima.

 

Dona Juracy, assim como Luiz, tem a mesma desconfiança, que se trate realmente de Gilmar Reolon. “Não da pra afirmar cem por cento, mas já passaram quase três anos e ninguém solucionou o caso, por isso acho sim que é ele que está escondido nesses matos (…) Ele se criou nessa região, conhece tudo, cada palmo desse chão”, afirma. Com medo, a agricultora já vendeu os animais e pretende deixar em breve a propriedade. Mesmo assim, espera que as autoridades competentes ouçam o apelo dos moradores e resolvam essa situação com a maior brevidade possível.

 

Mesmo opinião tem os demais moradores da comunidade, entre eles, o irmão de Gilmar, o agricultor Idemar Reolon. O mesmo afirmou que os abates de animais e o furto de pequenas quantidades de carne podem sim estar relacionados com seu irmão. Ele lembrou que em janeiro desde ano, ao caminhar pela mata em sua propriedade, se deparou com uma espécie de cabana com vestígios de que alguém estaria vivendo lá.

 

Na época, a polícia vistoria o local, mas ninguém foi encontrado. Fios de cabelo achados nessa cabana foram recolhidos e encaminhados para exame de DNA, em Curitiba, mas o resultado não foi satisfatório, pois foram observadas apenas células mortes o que não permitiu o exame completo. Ele garante que a sensação da família é de medo, muito medo. “Chega noite e ninguém aqui consegue ficar tranquilo, ninguém dorme tranquilo, a cada latido de cachorro aumenta a tensão e o medo que alguém está rondando nossa casa”, desabafou.

 

Além de ser acusado pelo incêndio que provocou a morte da esposa, filhos e a sogra, Gilmar Reolon também é suspeito de assassinar seu pai, o senhor Otávio Reolon. O crime ocorreu em agosto de 2009, na propriedade da vítima que fica também na comunidade de Linha Triton. Idemar, assim como os demais familiares, gostaria de saber realmente a verdade sobre os dois fatos, se realmente o irmão está vivo e se foi ele o responsável. “Gostaria de saber tudo e ver a justiça sendo feita”, frisou.

 

Para o vizinho de Idemar, o agricultor Domingos Mingon acredita que independente de se tratar de Gilmar Reolon ou não, os casos que envolvem a morte de animais precisam ser resolvidos pela polícia. “Se não é o Gilmar, mas alguém está matando os animais, dando prejuízo e assustando todos nós”, destacou. Antes de procurar a imprensa, os moradores estiveram na 19ª SDP, em Francisco Beltrão, e conversaram com o delegado expondo a situação, mas até o momento nenhuma resposta satisfatória foi dada, reclamam.