Por Everton Leite

O acidente vascular cerebral (AVC) é popularmente conhecido como derrame cerebral e está subdivida em dois tipos: isquêmico ou hemorrágico.

Segundo o médico neurologista Ricardo Pepe, o isquêmico é caracterizado pela falta de circulação numa área do cérebro provocada por obstrução de uma ou mais artérias, por ateromas, trombose ou embolia. Ocorre geralmente em pessoas mais velhas, com diabetes, colesterol elevado, hipertensão arterial e fumantes.

Já o hemorrágico tem como característica o rompimento de uma artéria ou vaso sanguíneo com problemas na coagulação do sangue e traumatismos. A incidência desse tipo de AVC pode ocorrer em crianças e jovens e a evolução é mais grave.

Levantamentos estatísticos apontam que o AVC mata mais que a Aids, a malária e a tuberculose juntas, e a cada seis segundos morre uma vítima de AVC no mundo. Ainda assim, é a segunda razão de morte em pessoas maiores de 60 anos e a quinta na faixa entre 15 e 59 anos. Sendo que a previsão não é nada animadora, tendo em vista que a expectativa é de que os registros da doença continuarão crescendo.

Dentre as causas, muitos são os fatores de risco. O médico neurologista Ricardo Pepe destaca que alguns deles não podem ser modificados, como idade, raça, histórico genético e sexo. Outros, entretanto, podem ser diagnosticados e tratados, tais como hipertensão, diabetes, enxaqueca, ingestão de bebidas alcoólicas, fumo, obesidade e sedentarismo. Uma vida mais regrada e com hábitos é preponderante para a prevenção do AVC.

A qualquer anormalidade, como, formigamento da face, braço, perna, perda súbita da visão, alteração aguda da fala, dor de cabeça súbita sem motivo aparente e vertigens associados a náuseas e vômitos, um médico deverá ser consultado imediatamente. Um tratamento precoce ou imediato aumentará as condições de cuidado do paciente.

 

Tratamento

O primeiro passo para o tratamento surtir resultado é a pessoa acometida pelo AVC entender o problema e aceitar as limitações a partir de então. O início da recuperação é feito nos primeiros dias de internamento, ou seja, ainda no hospital. Para tanto, é necessário o acompanhamento multiprofissional de fisioterapeuta, psicólogos, fonoaudiólogo e demais profissionais da saúde.

A fisioterapeuta Joeli Vedana, da Clínica Reabilitar, é especialista no método Bobath, que atende com propriedade as pessoas que tiveram AVC. Dentro do processo de recuperação, o paciente passa pelo período tradicional de avaliação das sequelas e, consequentemente, da escolha de exercícios específicos para cada caso.

Joeli destaca que é uma fase difícil, pois o paciente vai perceber os primeiros resultados somente após seis meses de tratamento e se mantiver uma frequência de três vezes por semana. Nesse período, é importante o apoio da família e a vontade do paciente em seguir toda a prescrição médica e terapêutica. Ela enfatiza ainda que, sem a fisioterapia, sem o acompanhamento profissional, o paciente não voltará a cumprir atividades básicas do dia a dia, por mais leve que o AVC possa ter sido.

 

Lição de vida

A professora universitária Rosane Calgaro tem 39 anos, dois filhos e é um exemplo de persistência, dedicação e de como se deve portar diante das dificuldades.

Há mais de quatro anos ela sofreu um AVC, depois de um trauma em decorrência de um acidente automobilístico, e a partir daí faz fisioterapia regularmente duas vezes por semana, mas também vai para a academia, participa de aulas de dança, faz técnicas vocais e agora ingressou no doutorado. Tem uma vida absolutamente normal.

É evidente que ainda tem limitações na fala, movimentação dos braços e pernas, mas também os resultados obtidos são comemorados por ela e pela fisioterapeuta.

Rosane relata que hoje em dia realiza tarefas simples, mas para quem tem limitações motoras é uma enorme dificuldade, como, por exemplo, dirigir, lixar as unhas, colocar as roupas nos cabides e secar os cabelos. “Foram feitas pequenas adaptações e eu me dou muito bem com todas elas”, relata. “A principal mudança foi aprender a escrever com a mão direita, já que era canhota.”

A meta, segundo ela, é andar de bicicleta, cavalgar e correr. Se depender da persistência, é fato que Rosane poderá atingir esses objetivos.