Para quem trabalha no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) Sudoeste do Paraná dá uma sensação de que as contas não estão certas, pois a impressão que se tem é de ser por muito mais tempo, já que é uma centena ininterrupta de dias: Samu 192 atende 24 horas por dia e sete dias por semana.

A trajetória que culmina nestes 100 dias é sustentada por quatro anos de organização e de cumprimento de burocracias e leis. Passou pela fase do convencimento, inclusive dos municípios, para a criação do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgências do Sudoeste do Paraná (Ciruspar), que administra toda a estrutura do Samu 192. Veio o concurso público e os demais testes seletivos, a estruturação das bases, o treinamento das equipes e a preparação de todo o material que dá suporte ao salvamento. O Samu 192 Sudoeste está disposto em dez bases Descentralizadas e mais a Central de Regulação, que atende a todos os chamados feitos para o 192, de todo o território sudoestino.

“Esperamos que o Samu seja o grande alavancar do Sudoeste para ajudar na melhoria da saúde. Agradecemos o empenho do pessoal que trabalha conosco. Problemas sempre têm e estamos tentando corrigir”, destacou o presidente do Ciruspar, Luiz Fernando Bandeira.

A qualquer tempo

A coordenadora do Ciruspar, Kelly Cristine Custódio dos Santos salientou que “são inúmeros os desafios que encontramos nesta primeira fase onde estamos adaptando as diretrizes de um novo serviço à realidade local. Mas o Samu 192 Sudoeste do Paraná vem ganhando o reconhecimento da população a cada atendimento realizado. E isso é muito gratificante para todos que trabalham nesta equipe, desde a sede do Ciruspar, a Central de Regulação Médica de Urgências e as equipes que estão diariamente nas 16 ambulâncias espalhadas no Sudoeste. Faça chuva, sol, frio, escuridão, todos estão sempre prontos para salvar vidas”.

O coordenador médico do Samu 192 Sudoeste, Gilmar Alberto Abegg lembrou o serviço ainda está em busca de mais profissionais de medicina para completar o quadro, contudo salienta que “muitas vidas foram salvas. Tivemos problemas e óbitos, mas no geral o Samu está fazendo grande diferença na saúde da população”, pontuou.

 

8.545 atendimentos

Cerca de 85% dos atendimentos são feitos pela ambulância de suporte básico. Foram, de 21 de fevereiro a 29 de maio, 13.910 chamadas, gerando 8.545 atendimentos. Somam-se a isso 13% de trotes, ao todo 1.832 ligações; mais 1.487 informações e 298 orientações médicas.

“O número de atendimentos é expressivo, bem como as ocorrências de acidentes de trânsito e as solicitações de transporte interhospitalar. Vemos que na abrangência da 7ª Regional de Saúde de Pato Branco temos mais casos clínicos, enquanto que na região de Francisco Beltrão, há maior ocorrência de acidentes. Pelo que temos visto estamos dando resolução a muitos problemas que antes ficavam sem atendimento. O Samu 192 veio para melhorar a saúde da população”, enfatizou Abegg.

Para ilustrar essa labuta de 100 dias, condutores socorristas, técnicos em enfermagem, enfermeiros e auxiliares administrativos, contam através de enquete, o que mudou em sua vida trabalhando no Samu 192.

 

TIPOS DE OCORRÊNCIAS E LIGAÇÕES EM 100 DIAS DE SAMU

Descrição                        Quantidade de chamadas     Percentual

Atendimentos                                  8.545                                    61%

Trote                                              1.832                                   13%

Informações                                    1.487                                   11%

Desistência                                       725                                      5%

Queda de Ligação                              609                                     4%

Orientação Médica                              298                                     2%

Engano                                             204                                     1%

Transferência                                      82                                     1%

Total de chamadas                         13.910                                                    100%

Fonte: Central de Regulação. Período de 21/02/2013 a 29/05/2013

ENQUETE COM EQUIPES DAS BASES

Palmas

“Mudou minha vida por ser uma experiência nova. Já trabalhei em hospital, mas o este é o meu primeiro emprego diretamente com urgência e emergência, que foi o que sempre sonhei, desde a faculdade. É excelente e mudou bastante minha vida. Somada a experiência profissional os cursos que já ministrava dá uma moral a mais para tratar com alunos e pessoas. Uma coisinha que se aprende de diferente a cada dia acrescenta um monte”.

Jacir Koncikovski, condutor socorrista na Base Descentralizada de Palmas

Dois Vizinhos

“Para ser sincero, para mim é a realização de um sonho. É o que eu gosto de fazer. Era técnico de sistemas de alarme e CSTV. Fiz o concurso do Samu e antes disso ainda eu já estava fazendo um curso de bombeiro civil nesta área e deu certo. O mais legal da minha profissão é saber o que fazer e poder ajudar”.

Vagner José Chaves, Condutor socorrista na Base Desentralizada de Dois Vizinhos

Chopinzinho

“Está sendo ótimo. Sempre fui secretária em escritório de contabilidade e está sendo bem diferente. Algumas rotinas não as mesmas na questão burocrática de folha e hora extra, mas estar com a equipe todos os dias exige jogo de cintura, pois a cada dia é com pessoas diferentes, o que exige se adaptar, pois são equipes que têm hábitos diferentes. No momento em que eles saem coma sirene ligada a gente fica com o coração na mão”.

Aline Belli, auxiliar administrativa da Base Descentraliza de Chopinzinho

Clevelândia

Sou técnica de enfermagem há 5 anos e está sendo uma coisa nova, pois todo dia tem uma coisa diferente, é bastante novidade. Aos poucos, vamos pegando jeito porque é muito novo para todo mundo. Eu trabalhava no pronto atendimento do posto de saúde. O atendimento é o mesmo, mas lá o médico e o enfermeiro estão no plantão e a gente fazia mais o que eles orientavam. Agora a gente tem que avaliar o paciente e passar os detalhes para o médico regulador. Muda um pouco porque a responsabilidade é maior”.

Jane Aparecida dos Santos, Técnica em enfermagem na Base Descentralizada de Clevelândia.

 Coronel Vivida

“É um trabalho bem gratificante de ser realizado. A gente ainda está no começo e fez um número considerável de atendimentos. Vemos nos olhar das pessoas o agradecimento que tem quando a gente consegue fazer um trabalho que dá resultado. A população está bem agradecida nesse sentido. Antes eu era instrutor de autoescola e hoje concilio as duas funções, onde trabalho em Chopinzinho nos dois dias de folga. A noite, sou acadêmico do curso de História da Unicentro”.

Guiherme Kamphorst, condutor socorrista na Base de Coronel Vivida

Francisco Beltrão

“São 100 dias de conquista para todo mundo. Teve muitos tropeços no início, sofremos críticas nas ruas nos primeiros dias, pois é um serviço novo e tudo que é novo causa impacto. Por isso, parabenizamos o empenho de todo o conjunto do Samu que trabalhou para que o serviço fosse concretizado, salientando o esforço, dedicação e empenho de todos. Estamos nos aperfeiçoando a cada dia mais e tendo melhor aceitação. Os serviços estão sendo divulgados para a população e as pessoas estão entendendo o objetivo do Samu. Com o tempo, vamos chegar a um serviço de excelência. Já temos visitas de pessoas na base, vindo agradecer. E quando chegamos nas casas e na rua, recebemos muito obrigado. Essa é a satisfação de poder ajudar”.

Maico Trevisol, enfermeiro coordenador da Base de Francisco Beltrão

 

Santo Antônio do Sudoeste

“Estou gostando de trabalho aqui. A gente tem uma sensação muito gratificante por estar ajudando os outros, por mais que eu trabalhe na área administrativa, estamos atrelado ao pessoal do resgate para que eles façam a função deles da melhor forma possível.

Luiz Gustavo Bressan, Auxiliar administrativo na Base de Santo Antônio

Mangueirinha

“Para mim, que tenho 15 anos de enfermagem e trabalho no hospital desde sempre, vejo que o Samu é muito diferente. Urgência e emergência é muito melhor. Em 15 anos tinha coisas que eu nunca tinha pego ou visto, porque quando chegava para nós o paciente já estava estável. E assim a adrenalina é muito maior. Gostei muito. É dez o atendimento de urgência e emergência”.

Paulina Adriana Costa e Silva, técnica em enfermagem na Base de Mangueirinha

Realeza

“Está sendo uma experiência única. Desde a minha formação meu sonho era trabalhar com urgência e emergência. É a realização de um sonho, me formei em 2006 na Universidade Paranaense e trabalhei por seis anos em unidade de saúde, em Capanema, onde moro. Agora estou só no Samu por enquanto e adorando. É muito grande a responsabilidade. Uma experiência nova e gratificante, mas lidamos com diversas formações, desde o condutor até o médico, e todo o pessoal é muito motivado. Na balança, temos saldo mais positivo que negativo na base de Realeza.

Cristiane Pinheiro Fúcolo Zuliani, enfermeira coordenadora da Base de Realeza