Falta de vacina contra carbúnculo preocupa pecuaristas da região de Palmas
Desabastecimento afeta todo o mercado pecuário nacional.
Agricultura
O desabastecimento de vacinas contra o carbúnculo tem gerado preocupação entre produtores rurais de todo o Brasil. Considerado um dos principais imunizantes utilizados na prevenção de doenças bacterianas que afetam os rebanhos, o produto está em falta em diversos estados e pode provocar impactos econômicos significativos para a pecuária nacional.
Em Palmas, Sul do Paraná, a escassez é percebida no comércio agropecuário. Levantamento realizado pelo Departamento de Jornalismo da Rádio Club constatou que apenas algumas casas agropecuárias ainda possuem doses disponíveis, mas em quantidades limitadas. O município tem um rebanho bovino estimado em 25 mil cabeças.
O pecuarista Edilson Taques de Siqueira explica que o carbúnculo sintomático é uma doença bacteriana grave, capaz de causar a morte dos animais e comprometer a rentabilidade das propriedades rurais.
Segundo ele, a bactéria pode permanecer instalada na musculatura dos bovinos e se manifestar em situações de estresse, como transporte, deficiências nutricionais ou manejo inadequado.
Além da prevenção ao carbúnculo sintomático, o imunizante também oferece proteção contra outras enfermidades bacterianas de elevada letalidade, entre elas a gangrena gasosa e o botulismo.
O pecuarista explica que o protocolo mais comum prevê a vacinação inicial dos animais jovens entre 12 e 15 meses de idade, com reforço entre 25 e 30 dias após a primeira aplicação. Já os animais adultos devem receber novas doses periodicamente, geralmente a cada seis meses.
Em nota divulgada no início de maio, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) informou que o atual cenário de desabastecimento das vacinas contra clostridioses, grupo de doenças que inclui o carbúnculo sintomático, está relacionado principalmente a decisões comerciais adotadas por fabricantes.
Segundo o órgão, algumas empresas descontinuaram a produção e a comercialização desses imunizantes entre o final de 2025 e janeiro de 2026, provocando a redução da oferta em todo o país.
Para minimizar os impactos, o Ministério informou que vem atuando junto à indústria veterinária para ampliar a fabricação nacional e incentivar a importação das vacinas. Além disso, procedimentos de fiscalização e liberação dos produtos estão sendo acelerados. A expectativa do governo federal é disponibilizar entre 10 e 12 milhões de doses por mês até o final deste ano.