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08 de dezembro de 2025
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Falha de tecnologia ou crime de estelionato: proprietários de motos e carros recebem multas com placas erradas e até foto de caminhão

Engenheiro Marcelo Da Correggio, diz que situação pode ser falha na leitura dos dados ou até mesmo clonagem de placas

Trânsito

por Marcelo Marcos

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Moradores de Francisco Beltrão têm registrado nas últimas semanas uma série de reclamações envolvendo multas de trânsito emitidas com informações incorretas. Em um dos casos mais recentes, o proprietário de uma motocicleta zero quilômetro, com apenas 23 quilômetros rodados, recebeu uma autuação registrada em Capanema — município que fica a cerca de 100 quilômetros de distância. A surpresa foi maior quando ele acessou a foto da infração e encontrou a imagem de um caminhão, e não de sua moto.

[Grupo RBJ de Comunicação] Falha de tecnologia ou crime de estelionato: proprietários de motos e carros recebem multas com placas erradas e até foto de caminhão

A ocorrência não é isolada. Outros beltronenses relataram multas atribuídas a veículos diferentes, cidades onde nunca estiveram e horários incompatíveis com suas rotinas. As situações levantam dúvidas sobre a confiabilidade do sistema de fiscalização eletrônica e sobre eventuais falhas no processo de registro das autuações.

Segundo o engenheiro e especialista em estatística Marcelo Monteiro Da Correggio, há duas causas mais frequentes para esse tipo de erro.
A primeira delas é falha na leitura dos caracteres da placa pelo equipamento de fiscalização. “O sistema pode não conseguir interpretar corretamente a placa por iluminação inadequada, ângulo da câmera ou interferência no registro. Quando isso acontece, o dado é processado de forma errada e acaba gerando multa para o veículo incorreto”, explica.

A segunda possibilidade é mais grave: clonagem de placas. Marcelo alerta que, nesse cenário, o problema não é apenas técnico, mas criminológico. “Há casos em que pessoas clonam deliberadamente placas de veículos para sabotar o sistema de fiscalização. Nesse tipo de situação, quem comete a infração está usando uma placa copiada, e o verdadeiro proprietário acaba sendo responsabilizado por algo que não fez”, afirma.

“É fácil recorrer — mas o motorista perde tempo por algo que não cometeu”

Apesar da gravidade do transtorno, Da Correggio afirma que, quando a multa é indevida, o processo de contestação costuma ser favorável ao proprietário. “É um caso fácil de recorrer e fácil de ganhar. Se não é o veículo do motorista que aparece na foto, se há divergência de locais ou horários, o cidadão não será penalizado. As provas para comprovar o erro são acessíveis”, orienta.

O especialista recomenda reunir documentos que confirmem a impossibilidade da infração: notas fiscais, registros de cartão de crédito que indiquem que a pessoa estava em outra cidade, comprovantes de deslocamento, imagens do próprio veículo, além das fotos anexadas na notificação. “Esses registros ajudam a demonstrar que o condutor não estava no local e reforçam o pedido de cancelamento”, destaca.

Mesmo assim, Marcelo lembra que a situação gera prejuízo indireto. “O problema é que o cidadão perde tempo tendo que se defender de algo que não fez. É um transtorno que poderia ser evitado com sistemas mais confiáveis e conferências mais rigorosas”, avalia.

Como proceder

Os órgãos de trânsito orientam que, ao receber uma multa suspeita, o proprietário:

  • verifique minuciosamente todos os dados da notificação;

  • compare foto e características do veículo;

  • reúna documentos que comprovem que não estava no local;

  • protocole defesa prévia dentro do prazo indicado na notificação;

  • e, se necessário, recorra à JARI.

Se o erro for comprovado, nenhum ponto é aplicado à CNH e o proprietário não precisa pagar a multa.

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