O Beltrão Futebol Clube não vai mais disputar o Paranaense da Segunda Divisão. O clube já pediu a desistência junto à Federação e nem joga no próximo domingo contra o PSTC. O presidente Kinkas dispensou todos os jogadores na quarta-feira, mas dez ainda estão na casa do atleta, que fica próximo ao Arrudão. Eles não têm dinheiro para pagar a passagem de ônibus para voltar para casa, pois não receberam salário no período em que vestiram a camisa do time beltronense. O volante Wellington Letto, capitão da equipe, fala um pouco da situação. “Quando eu vim para cá, já sabia da situação financeira complicada, mas como eu estava parado em fevereiro, me obriguei a aceitar. Agora nós queremos ir embora e não tem nem o dinheiro para a passagem.”

Wellington Letto tem 30 anos e é natural de Manaus. Ele precisa de R$ 200 para comprar sua passagem para Goiás, onde vive com a esposa. O atleta diz que já sabia da situação complicada do clube beltronense, mas não que chegaria a esse ponto. “Quando a gente viu na primeira rodada que não ia ter documentação, eu pensei em não entrar em campo. Mas como o técnico Didi (Santiago) foi, pensei em a gente ir todo mundo junto.”

Letto diz que essa foi uma das piores experiências que teve em sua carreira profissional. “Foi bem complicado porque nosso time tinha condições, passou muito jogador bom por aqui, mas todos foram buscando novas oportunidades, foram vendo que era uma barca furada.”

O capitão da equipe beltronense fala um pouco das dificuldades encontradas na casa do atleta. “Teve época em que tinha 50 jogadores para comer aqui, todo mundo fazendo fila para almoçar. Quando tinha manteiga, não tinha pão. Às vezes o pão era velho, do dia anterior, mas era o que tinha para comer.”

Wellington Letto diz que esperava pelo menos do presidente do Beltrão Futebol Clube um “muito obrigado”. “Ele veio entregar a nossa rescisão e nem agradeceu a gente por ter vestido a camisa do Beltrão, de ter passado essas dificuldades, somos seres humanos.”

O jogador Buiú, que também está na casa do atleta esperando por uma passagem, teve uma situação ainda pior. Ele pagou para o clube entrar com o pedido de profissionalização e até agora não tem o documento na mão. Nem entrou em campo, e o time já se desmanchou. “A gente já acertou todo o dinheiro para a documentação, mas eu preciso desse documento para ir embora.”

O atacante Alicate diz que a diretoria do Beltrão poderia ter dado mais atenção aos atletas. “Teve alguns jogos com renda e o presidente poderia ter pagado alguma coisa para a gente. Não recebemos nada, nada, nada. Foi muito difícil.”

Agora o volante Wellington Letto pede para que a população beltronense ajudem ele e seus companheiros a ir embora para visitar suas famílias. “A gente gostaria que alguém nos ajudasse a voltar para casa, não temos condições e precisamos ir.”