Envelhecimento das pessoas com deficiência ainda é desafio para sociedade e poder público
Rádio Club de Palmas produziu na última semana, uma série de entrevistas sobre envelhecimento e longevidade
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A população brasileira envelhece, e junto com esse fenômeno demográfico cresce também o número de pessoas com deficiência que chegam à terceira idade. No entanto, esse ainda é um tema pouco debatido, com lacunas de políticas públicas e ausência de ações específicas para essa parcela da sociedade. A Rádio Club de Palmas, Sul do Paraná, produziu na última semana, uma série de entrevistas sobre envelhecimento e longevidade.
A professora e advogada Carla Wingert de Moraes, Coordenadora Estadual de Envelhecimento da Federação das Apaes do Paraná, alerta que a realidade já está posta: o aumento da longevidade também alcança a população com deficiência. Ela cita como exemplo, dados da década de 1990, quando a expectativa de vida das pessoas com deficiência era de 35 anos. Atualmente, ela chega a 77 anos, praticamente igual à da população em geral.
Para Carla, a sociedade ainda carrega a visão equivocada de que a pessoa com deficiência intelectual é uma “eterna criança”. “Isso precisa ser superado. Há homens e mulheres com deficiência que envelhecem, enfrentam perdas, limitações físicas e cognitivas, e necessitam de apoio adequado. Negar a idade cronológica dessas pessoas é negar sua própria história de vida”, afirma.
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Se, por um lado, o aumento da longevidade é motivo de comemoração, por outro revela um vazio de políticas específicas. Ela pontua que ainda não há estruturas suficientes para atender essa população. Apesar do Brasil contar com legislações muito avançadas, como o Estatuto da Pessoa com Deficiência e o Estatuto da Pessoa Idosa, o problema está na implementação. “Nem municípios, nem estados, nem a União cumprem integralmente o que está previsto”, avalia.
A Coordenadora de Envelhecimento das Apaes do Paraná lembra também que a rede de apoio é frágil. Os principais cuidadores ainda são familiares, muitas vezes mulheres já idosas, com suas próprias limitações.
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Ela apresenta dados de pesquisas recentes realizadas pela Federação das Apaes. Em 2020, as Apaes do Paraná atendiam 736 pessoas com 60 anos ou mais. Em 2022, esse número subiu para 1.064. Na faixa dos 40 a 59 anos, eram mais de 4.200 pessoas em 2020. “Os números estão aí. É impossível que a rede de saúde e de assistência não perceba. O que falta é planejamento e compromisso. O envelhecimento da pessoa com deficiência não pode ser invisibilizado”, enfatiza.