Uma criança de nove anos que já havia perdido seu pai para a guerra. Uma criança de nove anos que vê sua mãe ser alvejada e morta por tiros e que fica sem saber para onde ir nesse momento. Uma criança perdida. Uma criança que perde seu berço, sua família. Uma história marcada por perdas e perseguições, mudanças e recomeços. O novo recomeço do refugiado da Angola, Francisco Domingos Cassange é na UTFPR de Francisco Beltrão.

Morador de Luanda, capital do país da Angola, devastado pela guerra civil que durou aproximadamente 30 anos e que vitimou seus pais e quatro de seus irmãos, Francisco teve seu primeiro recomeço quando foi adotado em um abrigo para crianças perdidas após as batalhas. Aos nove anos ganhou um novo nome, novos documentos, uma nova família e um novo lar.

Com 16 anos o pai adotivo de Francisco faleceu em decorrência de uma doença e isso fez com que ele precisasse buscar um outro recomeço. Antes da morte, o pai buscou os irmãos biológicos de Francisco para que tivessem a oportunidade do reencontro. “Com a morte dele eu fui viver com meus irmãos, mas não foi como esperado. Eles me culpavam pela morte da minha mãe biológica, pois ela tinha ido me buscar quando houve o ataque”, lamenta.

Refúgio

Após sofrer perseguições e ameaças (comuns em países assolados pela guerra) Francisco precisa se reinventar e é nesse momento que pensa em buscar refúgio no Brasil. “Pensei em Minas Gerais ou Rio de Janeiro, pois eram cidades que eu sempre via na TV Internacional e isso pesou na minha decisão, então optei por Minas Gerais”. Chegou ao Brasil em 2015 e pediu refúgio, que lhe foi concedido de acordo com as normas.

“Arrumei emprego e como meus documentos haviam ficado em Angola, precisei refazer as provas do ensino fundamental e médio. Fiz o Enem e consegui ingressar no curso de Engenharia Ambiental em Francisco Beltrão. Graças a Deus consegui uma vaga aqui e vamos tentar a vida pra ser alguém no futuro”, comemora.

Com sorriso no rosto com o novo recomeço, Francisco finaliza “o brasileiro é muito cordial e generoso, estou bem aqui”.

Fonte: Assessoria