O dia era para ser de expectativa, matar a saudade, conhecer a nova sala de aula, um dia para marcar o retorno das férias aos mais de 950 mil alunos de 2,1 mil escolas em todo o Paraná. Mas não foi isso que ocorreu. Escolas vazias, poucos estudantes e muitas dúvidas. Tudo isso devido à greve deflagrada pelos profissionais da educação, no sábado (07) em assembleia realizada na cidade de Guarapuava.

+ Professores de Palmas em greve se reúnem na Praça Central

+ Deputado Nelson Luersen se mostra contrário as medidas proposta pelo Governo

As medidas encaminhadas pelo governo a Assembleia Legislativa do Paraná, em caráter de emergência não agradou nem um pouco o funcionalismo público.

Professores de Chopinzinho. Foto: Andriano Zeni
  • Compartilhe no Facebook

Professores de Chopinzinho. Foto: Andriano Zeni

A praça em frente à igreja Matriz de Chopinzinho, foi o local onde os educadores se reuniram com faixas para reivindicar seus direitos. “Com muita dificuldade temos que informar isso aos pais e a comunidade escolar. Infelizmente não a possibilidade de iniciar o ano letivo. Definimos isso com cem por cento de aprovação na assembleia de sábado, onde estavam reunidos mais de 10 mil servidores da educação pública do Paraná”. Comenta a representante da APP Sindicato de Chopinzinho, Ivone Ferreira.

Alguns alunos e pais se dirigiram a escola, mas a direção e professores explicaram numa reunião rápida os motivos da greve e quem não tem nada definida para acabar, “a gente até esteve reunido nas escolas com os pais e alunos. Alguns já estão acompanhando nas redes sociais e muitos nem foram para escola, já aderindo à greve com a gente”.

São João - Foto: Assessoria
  • Compartilhe no Facebook

São João – Foto: Assessoria

Na cidade de Mangueirinha o Vice-prefeito Edenilson Palauro, recebeu na prefeitura os profissionais da educação. Em sua fala destacou que apoia a categoria e está junto na luta pelos seus direitos. Em Coronel Vivida à manifestação ocorreu na rua de acesso ao Colégio Estadual Arnaldo Busato.

Em São João, a manifestação tomou conta da principal avenida da cidade. Os profissionais fizeram uma passeata carregando cartazes com frases contra as medidas propostas pelo governo. Após se reuniram o prefeito e lideranças do município.

 

Sindicato

Na semana passada, a APP Sindicato tornou público uma Carta a Comunidade, onde destaca os principais pontos que culminou a greve:

• dívidas das escolas com fornecedores (muitas vezes da própria comunidade), devido ao não-repasse de verbas (fundo rotativo), o que está ocasionando falta de materiais básicos, como material escolar, de limpeza, etc.

• Diminuição drástica dos funcionários(as) (limpeza e conservação, zeladoria, inspetores, secretários, entre outros).

• Diminuição e fechamento de turmas, o que resultou num aumento de estudantes por sala de aula, chegando a mais de 50 alunos em alguns casos.

• Diminuição do número de professores(as) e não contratação de novos (concursados ou contratados).

• Fechamento de atividades complementares e de contra-turno.

• Ameaça de fechamento de programas como o Leite das Crianças e até do fornecimento de merenda, por falta de funcionários.

• Fim de programas de formação de professores(as) e fim do Plano de Carreira dos professores (que tinha sido aprovado em 2004, pela Assembleia Legislativa).

• Além disso, o governo está devendo direitos trabalhistas consagrados, como: pagamento de rescisões contratuais, 1/3 de férias, atrasando e até cortando salários.

 

Mobilização Estadual

Nesta terça-feira (09) os profissionais da educação e demais funcionários públicos se reúnem na capital do estado para pressionar os 54 deputados estaduais a não votar o Pacote de Maldades, encaminhado pelo Governador Beto Richa.

As cidades onde tem Núcleos de Educação, os profissionais com o apoio da comunidade indígena devem fortalecer a pressão no interior do estado.

 

Governo

Até o momento o governador não se manifestou sobre as novas medidas, que podem ou não, serem aprovadas pelos deputados. Mas por meio da Agência de Notícias do Paraná, órgão veiculado ao governo estadual, alguns dados foram divulgados em relação aos profissionais da educação, sendo feito comparação entre 2010 e 2014. O governo diz que a categoria teve aumento salarial de 60% nos últimos quatro anos.

Salário

2010: R$ 2.001,87 (40h + auxílio transporte)

2014: R$ 3.194,74 (40h + auxílio transporte)

– Equiparação salarial com os demais técnicos de nível superior do Executivo alcançada pela primeira vez no Magistério Estadual.

Concurso público e contratação

– 17.261 professores contratado no quadro de servidores da Secretaria da Educação.

– concurso para seleção e contratação de 6 mil profissionais em janeiro.

Formação continuada

– 7 mil professores liberados o Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE).

– Pela primeira vez a Secretaria da Educação abriu vagas para cursos de mestrado e doutorado, sem prejuízos aos vencimentos.

Distribuição antecipadas de aulas

Antes do final do ano letivo, cada profissional da educação já tem conhecimento de qual escola vai trabalhar no ano seguinte. Nos anos anteriores, o atraso nesse processo prejudicava os trabalhos da semana pedagógica e o início das aulas.

Hora-atividade

2010: 4 aulas por semana para hora-atividade

2014: 7 aulas por semana para hora-atividade