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Alunos e pais na Eispal.

Inspiro-me no provérbio da sabedoria africana, que afirma que “para educar uma criança é necessária uma aldeia inteira”. A imagem da aldeia evoca uma ampla aliança pela educação que incumbe de responsabilidade não apenas determinados atores sociais, mas pressupõe um envolvimento de toda sociedade. E, nestes atores que educam, a Igreja Católica faz parte desta grande aldeia que educa/ensina. A Igreja sempre quis ser pioneira na área da educação. Desde os primórdios de sua presença no Brasil e na cidade de Palmas/PR, teve sua atuação voltada para a educação. O ser humano como referencial e protagonista da educação têm sido a preocupação desta Igreja Diocesana.

No dia 19 de setembro de 1974, Dom Agostinho Sartori, fundou a Escola de Integração Social de Palmas (EISPAL), tendo como mantenedora a Cáritas Diocesana de Palmas. A Escola foi confiada aos cuidados pastorais das Pequenas Irmãs da Sagrada Família que estão zelando pela obra que propõe às crianças, adolescentes e famílias vulneráveis uma educação humanizadora e integral.

O Papa Francisco tem repetido várias vezes que “não se pode mudar o mundo se não se muda a educação”. Neste pensamento, a educação ocupa um papel central. Quem tem tarefas educativas tem, portanto, uma grande responsabilidade. Deve interrogar-se sobre o significado da educação e sobre suas finalidades. Deve perguntar-se se o que está fazendo, o zelo com que o realiza, vai à direção correta, dentro da missão evangelizadora da Igreja.

Que significa educar? Que significa hoje, no atual cenário cultural, social, econômico religioso, ou nos aproximando mais, no cenário palmense? Jacques Maritain, filósofo francês, nos oferece uma resposta particularmente eficaz: “Educar significa ajudar a pessoa humana a tornar-se mais humana”. Aqui reside o fundamento da educação que primamos nesta obra educativa chamada Eispal. Uma escola que educa, acompanha e humaniza prioritariamente.

A principal contribuição que o catolicismo traz à educação é sua referência à centralidade da pessoa humana, através da qual ele propõe como paradigma interpretativo a dimensão relacional, que lhe é própria. O ser humano é o centro de todo processo educacional. Ele nunca pode ser visto como meio, em vista de outro fim, mas o motivador e o objetivo maior da educação. Pois no ser humano se encontra uma dignidade a ser compreendida, defendida e motivada, que está na pessoa do aluno, do professor, da direção, dos responsáveis, dos pais e do/a colaborador/a. A dignidade é teológica. Faz parte do plano criacional. Não é uma invenção científica, nem mesmo ideológica. Tudo isso se resume, de alguma maneira, no fundamental conceito de pessoa imagem de Deus. Segundo Gênesis 1,26: “Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” e “Deus criou o homem imortal, e o fez à imagem do céu” (Sab 2,13). Partindo desse pressuposto bíblico, torna-se fundamental ver o ser humano em sua totalidade, em todas as suas formas de expressão, e para isso esta pessoa precisa de um ambiente favorável e este espaço é-nos oferecido pela EISPAL.

Eis o apelo do Papa Francisco, com a comunidade Escolar em Roma, em maio de 2014: “Desejo a todos um lindo caminho educacional, que faça crescer as três línguas que uma pessoa madura deve saber falar: a língua da mente, a língua do coração, a língua das mãos. Harmoniosamente, isto é, pensar o que se sente e o que se faz; sentir bem que se pensa e o que se faz; fazer bem o que se pensa e o que se sente”. E neste tripé do Papa Francisco, indubitavelmente, reside os aspectos fundamentais para despertar a consciência de que a dignidade da pessoa humana fundamenta o direito aos meios educacionais, a fim de promover o respeito mútuo, o bem comum e a paz. Cumprimentos pelos 46 anos de missão educacional da nossa histórica Eispal e 40 anos das Pequenas Irmãs da Sagrada Família em Palmas.

Dom Edgar Ertl