As vendas no comércio regional do Sudoeste do Paraná tiveram nova queda no mês de fevereiro deste ano. O faturamento foi 5,65% menor na comparação com o mesmo mês de 2015. Em relação a janeiro, houve redução 8,13% e no bimestre acumula baixa de 8,23%. Os dados são da Pesquisa Conjuntural da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio/PR) tendo por base a movimentação dos centros comerciais de Francisco Beltrão e Pato Branco.

E não foram só os consumidores que diminuíram o ritmo. Os comerciantes compraram 12.07% menos no primeiro bimestre deste ano, em relação a movimentação dos dois primeiros meses do ano passado. O período também significou retração de 14,37% na folha de pagamento e redução de 10,22% no nível regional de emprego.

Mesmo com cenário negativo no comércio, os comerciantes da região voltaram a comprar mais em fevereiro (6,47%); a folha de pagamento subiu 0,91% e o emprego subiu 0.05%. O fato se explica pela reposição dos estoques pelas vendas de final de ano e o reinício das movimentações passado o período de férias.

Neste ano, os setores de óticas/cine/foto/som(10,11%); auto peças(4.91%) e supermercados(3,19%) foram os únicos que tiveram variação positiva nas vendas. As maiores quedas foram sentidas pelos setores de materiais de construção (21,17%); calçados(22,82%) e lojas de departamentos(32,96%).

Ao analisar o resultado da Pesquisa Conjuntural, o presidente da Fecomércio/PR, Darci Piana, destacou que o ano começou ainda mais difícil para o comércio paranaense, em função da instabilidade política e da crise econômica. Para ele, o consumidor está descapitalizado e com receio de comprar, tanto que o consumo médio das famílias reduziu drasticamente. Se o governo continuar encurralado pelo embate político, sem mudanças significativas na condução da economia, a crise seguirá seu curso por mais um período, com perdas maiores nos bens de consumo duráveis, como os eletrônicos, dependentes da concessão de crédito e sujeitos a taxas de juros mais altas.

Para o presidente da Fecomércio PR, enquanto os empresários do comércio calculam suas perdas no dia a dia, analistas preveem que o país levará uma década para recuperar os índices de crescimento. Além da perda de patrimônio por parte dos empreendedores e dos empregos pelos comerciários, outro efeito perverso tem sido a preferência pelo comércio informal. Com menos dinheiro circulando, a opção passa a ser por quem oferece preço menor, resultado do não pagamento de impostos e do emprego de mão de obra não qualificada.