Iniciado há mais de três meses, o processo de redução de produção nas indústrias madeireiras de Palmas deverá seguir até o final deste ano. A projeção é do presidente da Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente), José Carlos Januário.

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Januário ocupa também a diretoria de exportações da indústria Guararapes (Foto: Gelson Bampi)

Em entrevista à Rádio Club/RBJ, aponta que o mercado da madeira compensada enfrenta um período de demanda reprimida, principalmente na Europa e na América do Norte. “Contudo, se analisarmos o volume exportado no primeiro semestre deste ano, temos praticamente o dobro de embarques em comparação a cinco, seis anos atrás”, salienta.

Analisa que uma série de eventos da política e da economia nacional desde 2015, levaram muitas fábricas a redirecionar sua produção do mercado local para o exterior. “Esse aumento foi bem recebido no mercado externo enquanto havia demanda, agora com a redução da demanda, precisamos ajustar a produção”, considera Januário, pontuando algumas medidas que estão sendo adotadas pelas indústrias, como concessão de férias coletivas e diminuição das horas e dias trabalhados.

Ressalta que as empresas não têm considerado o desligamento de funcionários, mas a hipótese não pode ser descartada, caso o cenário não apresente mudanças. “Estamos tomando todas as ações possíveis para evitar demissões, mas também não podemos descartar no futuro, se o mercado não demonstrar melhorias o suficiente para mantermos os quadros atuais”, analisa.

Para Januário, uma das alternativas para a retomada do setor madeireiro, além do aquecimento da economia externa, é a aprovação das reformas previdenciária e, principalmente, tributária, dada a desvantagem da produção brasileira em comparação a outros países. “O compensado de pinus do Brasil para os Estados Unidos é taxado em 8% de impostos de importação. Para a Europa são 7% e México, 6%, enquanto que os nossos vizinhos Chile e Uruguai não têm qualquer taxação”, aponta.

Ouça a entrevista no player abaixo: