Está em desenvolvimento na Terra Indígena de Mangueirinha um amplo projeto que irá garantir documentos e assessoria à população local. O objetivo é auxiliá-las no encaminhamento de aposentadoria, pensões e demais benefícios sociais. Também acesso a programas e ações governamentais e oportunidades aos moradores.  Para mensurar a realidade foi feita uma ampla pesquisa socioeconômica junto a mais de 230 famílias, com mais de 800 pessoas.

Conforme o idealizador e coordenador do projeto, Joares Alves, a iniciativa se fundamenta  no direito que cada cidadão tem em adquirir seus documentos e na obrigação imposta pelo estado, afim de incluir todos nos cadastros de controle governamentais. “A pesquisa, por exemplo, identificou, dentre outras questões, que há um grande número de pessoas sem qualquer documento”, disse ele.

Foram entrevistadas 234 famílias, num total de 833 pessoas, sendo 398 homens e 435 mulheres. Como  resultado  já  foram encaminhadas aproximadamente 290 pessoas pessoas para obtenção de documentação essencial.

O levantamento revelou que em relação ás questões educacionais, há um percentual considerável de crianças fora da sala de aula e elevado nível com dificuldade de aprendizado. Por outro lado, foram contabilizados 29 estudantes universitários. Outros 12 com ensino superior concluído nas áreas de Letras, Serviço Social, Pedagogia, Administração e Direito. Outros três moradores já concluíram a pós-graduação.

Em relação à religião, 133 famílias são católicas e 75 evangélicas. Em relação ao trabalho, 71 pessoas possuem emprego formal e outras 269 estão desempregadas. A renda das famílias tem como fonte recebimento de salários, (15,40%);aposentadoria/pensão(15,50%); Agricultura (18,10%); cultivo tradicional/roçado (12,00%); produção agrícola mecanizada(5.9%);  artesanato (2,70%); Extrativismo(16,75% ). Há outras 27 famílias que vivem de bolsa de estudos(5,9%).

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Foto: Evandro Ribeiro(Video Foto Thyago)

A pesquisa também apurou sobre o poder aquisitivo famílias.  Nove delas tem rendimento entre  3 e 4 mínimos; 2 a 3 salários, são 19 famílias;  entre 1 e 2 são 73.  As que vivem com até um salário mínimo, pouco mais de R$ 900,00, totalizam 118. Aproximadamente 20 se encontram com padrão crítico de subsistência, ou seja,  vivem com menos de um salário mínimo.

Outra realidade é quanto à moradia das famílias Kaingangs.  Um total de  209 vivem em casa própria.  Há ainda algumas sob lonas e casas de chão batido, sem água encanada e sem banheiro.  Outro aspecto importante é com relação a cultura indígena.  Aproximadamente 60 pessoas dominam o idioma Kaingang e outras 322 manifestaram interesse em aprender a língua nativa.

Explicou o coordenador que a pesquisa foi realizada a partir da constatação de situações vivenciadas pelos moradores, como por exemplo, dificuldade de deslocamento e falta de recursos financeiros para buscarem os documentos necessários para inserirem-se em programas  e ações governamentais que pudessem mudar suas realidades. Conforme Alves, agora essas famílias serão acompanhadas e projetos sociais poderão ser desenvolvidos com base em dados reais apurados pela pesquisa.