O presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, afirma que mesmo com as incertezas econômicas e políticas, as cooperativas do Paraná mantêm a meta de faturar R$ 100 bilhões até meados de 2021.

“Os produtos de cooperativas paranaenses são exportados para mais de 100 países. Crescemos 19% em 2018, com uma movimentação econômica de R$ 83,7 bilhões”, disse Ricken. Ele defende mecanismos que viabilizem o escoamento da safra de forma multimodal, em que as rodovias deem vazão de forma satisfatória das safras em curtas distâncias até chegar em portos de hidrovias ou pontos de carregamentos de ferrovias. “Não podemos ficar dependendo apenas do modal rodoviário”.

Questionado sobre sua avaliação da Reforma da Previdência e o impacto que podem causar nas cooperativas, José Roberto Ricken, afirma que esta reforma se faz necessária para restabelecer o equilíbrio das contas da previdência social e dar fôlego ao governo.

No caso específico do agronegócio, a regra atual de aposentadoria para os pequenos e médios produtores rurais ficou mantida. A reforma prevê ainda, aumento das contribuições previdenciárias sobre a receita bruta, desoneração da folha de pagamento, fazendo que ocorra recolhimento da contribuição sobre as exportações que até então estão imunes do tributo. Esta medida deve acarretar um aumento nos custos com a mão de obra e contraria aos reais objetivos para qual foi criada, ou seja, permitir o aumento da contratação de funcionários, elevando a oferta de empregos.

Caso não ocorra alteração na proposta, deverá impactar negativamente a renda do produtor, porque esse aumento de carga tributária terá que ser repassado no preço. Já em relação às cooperativas do ramo crédito, um ponto de atenção é quanto a majoração da alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) de 15%, atualmente, para 17%, aumento que certamente impactará nas suas operações e atingirá o cooperado tomador de crédito. Mas estamos otimistas que essa reforma seja aprovada com as devidas modificações e que não impactem o setor, acrescenta Ricken.

As cooperativas paranaenses faturaram em 2018 R$ 83,7 bilhões e investem R$ 2 bilhões por ano. Apesar do quadro de estagnação econômica do país, a expectativa é de que as cooperativas do Paraná continuem a crescer. O Paraná é responsável por 18% da produção nacional, apesar de contar com apenas 2,3% da área territorial.

O Estado se destaca pela produção de soja, milho, feijão e trigo, enquanto na área de proteína animal, é o maior produtor de frangos, primeiro produtor em peixe de água doce, segundo em leite e na produção de suínos.

Mesmo com este diferencial de diversificação e volume de produção, o desafio é de intensificar a produção de alimentos com foco na agregação de valor e na exportação, aumentando a relação econômica externas e atendendo a demanda crescente no mundo. Para isso, precisamos resolver os gargalos da logística para que o estado possa ofertar todo este potencial de produção de alimento. É fundamental que sejam realizados investimentos em infraestrutura que auxiliem no escoamento da safra das cooperativas para aumentar nossa competitividade, tanto fora como dentro do país, pontuou o presidente do Sistema Ocepar.

Fonte: Ocepar/Paraná Cooperativo