A formalização como microempreendedor individual (MEI) continua sendo uma alternativa para geração de renda durante a crise, principalmente, para quem busca driblar a falta de emprego e sair da economia paralela. Recentemente, o número de MEI alcançou a marca histórica de 10 milhões de empreendedores, sendo 628.159 no Paraná, de acordo com o Portal do Empreendedor.

Criado como figura jurídica há mais de 10 anos, o MEI nasceu para incentivar a formalização de pequenos negócios e de trabalhadores autônomos como vendedores, doceiros, manicures, cabeleireiros, eletricistas, entre outros, a um baixo custo. Podem aderir ao programa os negócios que faturam até R$ 81 mil por ano (ou R$ 6,7 mil por mês) e têm, no máximo, um funcionário.

Conforme levantamento feito pelo Sebrae, em 2018, a cada duas semanas, em média, no Brasil, 61.043 novos MEIs se formalizaram. Em 2019, esse número subiu para 83.698. Até a primeira quinzena de março de 2020, foi registrada uma tendência de alta. As cinco primeiras quinzenas de 2020 apresentaram uma média de 107.861 novos MEI. Desde então, por força do impacto econômico da pandemia, esse número vem caindo, chegando a 43.273 novos MEI na segunda quinzena de abril. Uma queda de 51% em relação à média de registros verificada em 2019.

Para a consultora do Sebrae/PR, Carla Selva, a formalização representa uma oportunidade para acessar mercados e adaptar produtos e serviços conforme a demanda atual. “O setor de alimentação se adaptou rápido. Há diversos empreendedores que aderiram a assinaturas mensais, estão entregando produtos orgânicos, minimercados estão entregando nos bairros. São oportunidades de adaptações em mercados que já existem, mas com mais chances de sucesso com a atividade formalizada”, exemplifica.

Carla destaca que neste momento as pessoas estão mais seletivas, mas não deixaram de consumir. “O MEI é uma porta de entrada para quem sempre quis ter o próprio negócio. É uma forma simplificada e rápida de começar. Ao formalizar uma atividade ou iniciar algo novo, é preciso focar na necessidade do cliente, estudar bem os preços. O consumidor está selecionando melhor o que vai comprar”, frisa a consultora.

Em Chopinzinho, Luma Emanueli Graebin está comemorando a fomalização no MEI. A jovem empreendedora montou, junto com o marido Wellington Capelin, uma loja de conveniências e distribuidora de gelo. A empresa familiar entrou em funcionamento no dia 2 de maio, no bairro Cristo Rei.

O empreendimento atende a mais dois bairros vizinhos e a procura aumenta entre quinta-feira e domingo, com a venda de assados, bebidas e gelo. “Havia um planejamento, antes da pandemia. Não paramos o projeto por causa da quarentena. Conforme foram aparecendo as oportunidades, fomos dando andamento. Depois, o decreto municipal deu flexibilidade ao comércio e pudemos fazer os atendimentos”, conta Luma. O aumento nas vendas já está sendo sentido. Segundo Luma, do primeiro sábado em funcionamento, em 2 de maio, ao segundo, 9 de maio, “o faturamento cresceu 100%”.

Em entrevista à Extra FM, ela ainda afirmou que teve apoio do marido que há tempos pensava em deixar o trabalho para cuidar do próprio negócio. Wellington, por sua vez, relatou que já tem bons clientes da fábrica de gelo em Chopinzinho, São João e Coronel Vivida. Ele ainda aposta na venda das bebidas e tem inovado com a disponibilidade de assados de gado, porco e frango aos finais de semana, além de porções que são servidas todas as noites no local e também disponibilizadas para os clientes levarem para casa.

Da redação, com colaboração de Antônio Menegatti – Sebrae/PR