Doação de medula óssea: “É preciso desmistificar”
Diretor do Hemonúcleo de Francisco Beltrão explica como funciona a doação de medula óssea
Saúde
O diretor do Hemonúcleo de Francisco Beltrão, Fábio Hebert, fez um alerta importante sobre a doação de medula óssea em entrevista à Rádio Onda Sul FM. Segundo ele, o processo é mais simples do que a maioria das pessoas imagina e pode salvar vidas. “A gente precisa desmistificar essa questão. Não se trata de perfurar a medula espinhal, como muitos pensam”, explicou.
Atualmente, o Hemonúcleo de Francisco Beltrão, vinculado ao Hemepar (Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná), realiza mensalmente até 20 coletas de amostras para o cadastro de doadores de medula. O número é estipulado pela Central de Transplantes do Paraná. Os interessados em se tornar doadores devem ter entre 18 e 35 anos, estar em boas condições de saúde e procurar uma das 22 unidades do Hemepar no estado.
“Coletamos 5 ml de sangue e enviamos para o nosso laboratório de histocompatibilidade. A pessoa passa a constar no Redome, o Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea, e permanece cadastrada até os 60 anos”, explicou Fábio.
A chance de encontrar um doador compatível fora da família é baixa: em média, de um em cada 100 mil cadastros. Mesmo assim, a região de Francisco Beltrão teve um resultado expressivo recentemente. “De 2023 até fevereiro deste ano, tivemos três doadores efetivos — dois de Francisco Beltrão e um de Dois Vizinhos. Isso foi inédito para a nossa região e para o Paraná”, destacou.
Como é feita a doação de medula?
O processo pode ocorrer de duas formas: por punção ou por aférese. Na primeira, o doador é levado ao centro cirúrgico, recebe anestesia raquidiana e tem a medula coletada a partir da crista ilíaca (osso da bacia). Já a segunda forma, mais comum atualmente, envolve a aplicação de um medicamento que estimula a liberação das células-tronco na corrente sanguínea. Em seguida, o doador é conectado a uma máquina que separa as células da medula do restante do sangue — semelhante a uma hemodiálise.
“É um procedimento seguro e não envolve punção na coluna ou medula espinhal, como muitos pensam. É importante divulgar isso e reduzir o medo das pessoas”, reforçou Fábio.
Como se cadastrar
Quem quiser se cadastrar como doador de medula óssea pode ir diretamente ao Hemonúcleo de Francisco Beltrão, que fica na Rua Marília, próximo ao Batalhão da Polícia Militar. Não é necessário estar doando sangue no momento. Basta manifestar o desejo de se tornar um doador.
O diretor ainda recomenda que os voluntários baixem o aplicativo do Redome para acompanhar seu cadastro. Em caso de compatibilidade com um paciente que necessita de transplante, o doador será contatado para a realização de exames adicionais.
“O mais importante é lembrar que doar medula pode ser a única chance de cura para muitas pessoas. E esse gesto pode vir de qualquer um de nós”, finalizou.