Cerca de 300 trabalhadores rurais que integram o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) se reuniram na manhã desta sexta-feira (13) na comunidade Marechal Lott, interior de Capanema, próximo a estrada que dá acesso à Usina Baixo Iguaçu. O objetivo da mobilização é buscar uma solução para o impasse com a empresa responsável pela construção da usina, que ainda não cumpriu com suas obrigações no que se refere a indenização das famílias que terão as propriedades afetadas pela execução da obra.

Uma assembleia foi realizada no local e, em seguida, os trabalhadores se dirigiram e ocuparam o canteiro de obras. No local onde ficam as usinas de produção de concreto, os agricultores obrigaram os funcionários a desligarem as máquinas. Segundo líderes do MAB, a ideia é permanecer no local até que a empresa apresente uma solução definitiva. Os atingidos com a construção da barragem também reclamam que a empresa não estaria repassando informações de maneira correta.

O manifesto é acompanhado de perto pela Polícia Militar. Segundo o comandante da Companhia de Capanema, tenente Cesar, as equipes estão no local apenas com a intenção de evitar qualquer tipo de confronto entre agricultores e funcionários da usina, que nesse caso não tem culpa dos atos da empresa. A polícia deve permanecer no local o tempo que for necessário, também a disposição para cumprir qualquer ordem da justiça.

Além do MAB, os agricultores têm recebido apoio de autoridades dos municípios de Capanema (Sudoeste) e Capitão Leônidas Marques (Oeste). Um apoiador da causa é o Padre Antônio Teixeira, Pároco de Capanema. Segundo ele, o que se tem observado é uma grande falta de respeito por parte da empresa com as famílias afetadas. “ Aquele que tem a terra, é lógico, tem todo o direito de não ficar calado, precisa ir atrás de seus direitos. Eu nesse ponto aqui vejo que o ponto tem eu lutar para que não acontece como em outras usinas que os agricultores até hoje não receberam o valor da indenização, por isso é justa sim essa manifestação, até por que estão em cima do que é deles”, disse.

Odair Cemin é um dos atingidos pela construção da usina. Ele afirma que os agricultores já estão cansados e espera que o acerto seja feito o quando antes. “Ninguém dos agricultores é contra a construção da usina, isso é o progresso do país, porém quando se diz lá no começo da construção da obra, com prévia indenização, é isso que a gente quer, que essa indenização aconteça e não está acontecendo. Um dia desses foi falando numa reunião em agonia do povo, é que realmente está acontecendo com nosso povo aqui, nosso povo tá agonizando em cima do que é dele e perdendo tudo….A partir do momento que a empresa vim com uma proposta decente, com o propósito de negociar, atender os objetivos desse grupo que tá aqui, que não tem nenhum desapropriador de terra, não tem nenhum bandido, não tem nenhum invasor aqui, simplesmente vai acabar toda essa bagunça, por que nós só queremos o que é justo, não queremos nada que é da empresa, apenas o justo pro nosso povo”, desabafou.

Diante a situação, a empresa Baixo Iguaçu, responsável pela construção da usina, se manifestou. Constantino Kottzias, que é analista de comunicação do Consórcio baixo Iguaçu, concedeu entrevista à Rádio Havaí, de Capitão Leônidas Marques, e falou sobre as negociações e o impasse com os agricultores. “As negociações já estão em andamento a um bom tempo, e a preocupação do consórcio é que elas resultem num preço justo e agora algumas negociações estão sendo revistas até pra que não se cometa nenhum erro e a gente possa receber todos os envolvidos e conversar dentro de um parâmetro de mercado. É claro que não é uma coisa tão simples que se define em um dia, dois dias ou cinco, por isso a reunião do último dia 10 foi cancelada em virtude de que os nossos estudos todos não foram concluídos ainda, mas deveremos ter em breve essa conclusão, para sentar com todos os agricultores e dentro da possibilidade resolver o impasse”, afirmou.

Fotos: Divulgação MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens)