No dia 07 de janeiro, comemora-se o Dia do Leitor.  Professores do IFPR-Campus Palmas,  Aline Cristina de Oliveira e Jacob dos Santos Biziak, em texto e áudio, destacaram a importância da leitura ao ser humano para sua vida em sociedade.

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Aline Cristina de Oliveira – Em tempos de redes sociais e informações que bombardeiam nossa tão pouca afeição pelo conhecimento, o cenário mundial passa por uma crescente onda de desapego à leitura.

A chamada geração Y muito sabe sobre tecnologia, tudo entende sobre a massa cultural que se apresenta em processadores cada vez mais rápidos em resoluções mais nítidas que a própria realidade! Mas essa mesma geração faz parte de estatísticas alarmantes sobre o câncer do milênio: a ansiedade.

E diante dessa pressa diária, da simultaneidade de uso dos aplicativos, onde fica a possibilidade de apreciar um virar de páginas? um cheiro de livro novo? os minutos dedicados às poucas páginas de um jornal lido no tempo de um café? Isso tudo cheira a sepulcro, para parafrasear Machado de Assis e sua conhecida ironia.

É como se na liquidez da vida moderna, a leitura fosse coisa de gente antiga. Ele mesmo, quando jovem, escrevia para o jornal e ali metia suas inquietações sobre a inaptidão do brasileiro para a leitura.

Segundo Machado, um país que se levantara sobre a mácula da escravidão e do pensamento liberal não podia desejar um povo que aprendesse a amar os livros. Aprendemos, e isso muito bem, a amar o que nos é alheio, haja vista todos os iphones, apples e smarts que fazem parte da rotina tupiniquim.

Nada errado com isso, se soubéssemos mais de nossa própria história, nossa própria cultura, coisas também muito antigas que jazem sobre páginas de, acreditem, livros! O filósofo Mário Sérgio Cortella já brincou que na insana rede de dados mundiais, alguns navegam e muitos naufragam. Eu nunca vi o naufrágio de um livro.

O livro é construído sobre bases fortes. Cada página está alicerçada na solidez do pensamento, seja ele científico ou ficcional. O livro navega em mar calmo, paciente. As ondas, quando surgem, não derrubam nem causam náuseas, mas apenas permitem o surf em reflexões e tomadas de consciência. Se navegássemos mais em oceanos de leitura talvez compreendêssemos melhor nossos corpos, nosso país, nossa construção social.

Se pudéssemos ainda ensinar nossos filhos sobre o poder contido no conhecimento, aquele que leis e golpes não são capazes de usurpar, talvez tivéssemos a chance de mostrar a eles nosso estado de míseros seres sobre um vasto mundo, o mesmo vasto mundo que Drummond cantou em seu Poema de Sete Faces.

O conhecimento é uma forma, das mais eficazes, de empoderamento e por isso, por muito tempo, a leitura foi considerada subversiva. Hoje, subversão é pensar, outra coisa que se aprende, imagine só, nos livros.

LEITURA E HUMANIDADE

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Para professor, Jacob dos Santos Biziak,  Coordenador do Colegiado de Letras do IFPR, quando se fala no Dia do Leitor fala-se no dia do ser humano, o único capaz de ler e elaborar aquilo que lê.

“Ler nos faz humanos. Essa é uma atividade que nos caracteriza como viventes”, enfatiza