É seguro afirmar que é a partir do município de Palmas, Paraná com seus 141 anos de emancipação, que as regiões adjacentes foram surgindo e se desenvolvendo ao longo deste tempo. Igualmente é perfeitamente possível utilizar a frase “é por aqui que tudo começou”.

Também não é pretensão afirmar que a organização de trabalhadores, como ocorreu bem posteriormente no Sudoeste do Paraná e Oeste de Santa Catarina, pode ter como referência o município de Palmas e, mais especificamente, na então recém-iniciada comunidade do bairro Lagoão, no primeiro terço do século XX. Há 83 anos, a comunidade do Lagoão se resumia há algumas poucas casas, conforme a foto(acima) datada de 1936.  Atualmente residem no referido bairro aproximadamente 13 mil pessoas.

Faço essa introdução para referir-me a documentos repassados pelo morador do bairro, vereador Paulo Bannak, que tem buscado resgatar a história, a cultura e o patrimônio material e imaterial de sua comunidade. O mesmo, alcançou-me cópia de ata datada de 1º de Agosto de 1937. Nela, registra a primeira reunião para constituição e organização da “Sociedade Ukraína de Operários do Lagoão”.

Nesta reunião alguns operários com sobrenomes presentes através através das gerações no município: Mikilita, Flessak, Lalamacha, Banack, Lessi, Lubi, Pidcheift, Yavoski, Sendeski, Checet, Bodnar, Copachisnski, Petrin e outros que não escondem os propósitos e nome da entidade que se pretendia.

Consta do manuscrito, que após as primeiras palavras de Miguel Mikilita e, sob a proposta de Pedro Flessak, foi eleito o primeiro presidente Sociedade, Miguel Lalamacha que convidou Estefano Mikilita para secretariá-lo.

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A Associação de Operários foi criada para auxiliar seus membros no desenvolvimento moral e intelectual, amparar a escola local e auxiliar os indigentes. Conforme o estatuto, para atingir os objetivos, seriam criados biblioteca, grupo de teatro, festas cívicas, leilões, churrascadas e diversões e recreações.

Naquele tempo, a preocupação dos Operários Ukraínos já se voltava ao crescimento e desenvolvimento do município, com a proposta estatutária de se realizar conferências direcionadas a indústria, agricultura e pecuária.

Consta no documento de fundação, que a mensalidade para os associados seria de dois mil reis, moeda da época para os  fundadores e 30 mil reis para os demais associados.

A primeira reunião ordinária da Associação ocorreu em 05 de setembro de 1937.  Não há comprovação de quanto tempo durou a entidade. Do estatuto constou que “Esta cognominação perdurará enquanto existirem aqui operários Ukrainos, fundadores desta sociedade e seus descendentes, ou a colônia da mesma origem”. O livro de ata(anotações) consta como última assembleia geral 02 de abril de 1939.

Os registros do encontro mencionavam que “por unanimidade resolveram para o dia 09 do corrente “mez” a fazer um divertimento familiar na sede da sociedade às 20h00. Na mesma sessão, foi estabelecido prazo de 90 dias para os sócios que são atrasados com suas contribuições, se não contribuírem serão eliminados da sociedade. Nada mais tendo a discutir foi encerrada a sessão e para constar eu secretário, Basílio Lessi, lavrei esta ata e assino junto com o Sr. Presidente(Roberto Schnaufer).

Os ucranianos chegaram ao Paraná entre 1895 e 1897. Mais de 20 mil imigrantes chegaram ao Estado e formaram suas colônias, principalmente, na região Sul do Paraná. Hoje o Paraná abriga a grande maioria de ucranianos que vivem no Brasil: 350 mil dos 400 mil imigrantes e descendentes.

Esta reportagem pode ser ampliada. Novos registros hitóricos, que contribuam para isso, podem ser enviados para o email: [email protected] ou mesmo via WhatsApp 46 – 991092213.