A partir desta quinta-feira estarão aberta para visitação duas exposições que acontecem simultaneamente na Assessoar, em Francisco Beltrão, até o dia 6 de junho. A primeira é uma exposição itinerante do Museu Paranaense sobre a Guerra do Contestado, e a outra, uma mostra do Departamento Municipal de Cultura sobre a importância da Cango (Colônia Agrícola Nacional general Osório) na implantação do município.

Durante a quarta-feira, as duas exposições foram montadas no saguão da Assessoar, no bairro da Cango. A exposição sobre o Contestado reúne 22 painéis de fotos de Claro Jansson, o fotógrafo que retratou parte do conflito, através de imagens da organização dos caboclos, dos trabalhos da madeireira Lumber e das tropas legalistas. O acervo conta também com armas da época – inclusive os facões de pau utilizados pelos caboclos – e manequins com vestimentas dos soldados.

Segundo a coordenadora dos polos museológicos da Secretaria de Estado da Cultura, Suely Deschermayer, a exposição retrata todo o contexto da época do Contestado através das imagens, objetos e informações em painéis. “A exposição mostra desde os motivos do conflito, o cotidiano de quem estava envolvido, até a parte religiosa, com a participação dos monges”, explica.

A Guerra do Contestado foi um conflito ocorrido entre 1912 e 1916 na região centro-oeste de Santa Catarina, causada pela construção de uma ferrovia e da exploração de madeira por grupos estrangeiros, com a expulsão de caboclos de suas terras, que se revoltaram e se organizaram em redutos a partir de um movimento denominado messiânico. A guerra civil e os resultados do conflito influenciaram a formação do Sudoeste paranaense.

O Departamento de Cultura também participa da exposição com uma mostra sobre a fundação da Cango e sua importância para a estruturação do município. Painéis com informações sobre a colônia e seus administradores serão exibidos. “A Cango foi o berço de Beltrão, a instituição que propiciou o nascimento da cidade, por isso não devemos desconsiderar sua importância histórica”, disse.

Fundada em 1943 pelo então presidente Getúlio Vargas, a Cango tinha por objetivo viabilizar condições para a colonização do sudoeste paranaense, num contexto de ocupação de espaços chamados “vazios” para a produção de alimentos e manutenção das faixas fronteiriças.

A abertura oficial está programada para as 10 horas. Antes, porém, o jornalista Ivo Pegoraro falará a professores das escolas sobre como abordar o tema em sala de aula. A exposição é gratuita e funcionará durante o dia até 6 de junho.