Canhões antigranizo ainda não têm eficácia comprovada pela ciência
Equipamentos produzem ondas de choque para tentar reduzir o tamanho das pedras
Tecnologia
por Jack Jr
Os chamados canhões antigranizo têm sido utilizados em algumas regiões como tentativa de reduzir os danos provocados pelas tempestades de granizo. O funcionamento e a eficácia desses equipamentos foram discutidos durante o quadro Onda Tecnologia desta sexta-feira (18).
O Colunista e engenheiro mecânico Marcelo da Correggio explicou que o equipamento possui uma câmara de combustão instalada na base de um funil. Uma mistura de gases é inflamada periodicamente, produzindo uma onda de choque que se propaga para a atmosfera. Segundo os fabricantes, o objetivo é interferir no crescimento dos cristais de gelo dentro das nuvens e evitar a formação de pedras maiores.
Apesar da utilização por agricultores e vinicultores em algumas regiões, o especialista destaca que não há consenso científico sobre a eficácia dos canhões. Estudos de campo, medições por radar e análises estatísticas são apontados como negativos ou inconclusivos. Um dos principais desafios é comprovar uma relação direta entre o uso do equipamento e a redução do granizo, já que as condições atmosféricas variam naturalmente.
Outro fator citado é a distância entre o equipamento e a altitude em que o granizo costuma se formar. As ondas de choque produzidas no solo se dissipam rapidamente, enquanto a formação do granizo ocorre frequentemente entre 5 e 10 quilômetros de altitude.
A entrevista também menciona que alguns usuários relatam resultados positivos, especialmente em áreas de produção de uva e maçã. No entanto, esses relatos não são considerados suficientes para comprovar a eficácia do método em testes controlados.
A entrevista completa está disponível no vídeo abaixo.