Câmara cobra reforço no atendimento a autistas e denuncia problemas estruturais na base do SAMU
Vereadores apontam falta de profissionais especializados e relatam condições precárias na unidade do SAMU
Política
por Deise Bach
A Câmara de Vereadores de Francisco Beltrão apresentou novas cobranças ao Poder Executivo relacionadas à saúde pública e à assistência às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA). As demandas foram apresentadas pela vereadora Aline Biezus, com apoio dos vereadores Pedro Tufão, Marcos Folador, Silmar Galina e Maria de Fátima.
Entre os principais pontos levantados está a falta de profissionais especializados para atender crianças, adolescentes e adultos com autismo. Segundo a vereadora, as reivindicações surgiram após uma audiência pública e um levantamento realizado junto às famílias atendidas.
De acordo com os relatos recebidos, ainda existem dificuldades relacionadas à acessibilidade, à disponibilidade de professores de apoio na rede de ensino e à capacitação de profissionais da área da saúde. No entanto, a principal preocupação apontada é a insuficiência de equipes multiprofissionais para acompanhamento dos pacientes.
Conforme apresentado pelos parlamentares, há carência de profissionais como fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos e fisioterapeutas. A situação mais crítica envolve a área de fonoaudiologia, que atualmente não conta com profissionais disponíveis na rede municipal, obrigando muitas famílias a buscar atendimento particular.
Como alternativa para ampliar o atendimento, os vereadores sugerem a realização de um chamamento público para contratação de profissionais por número de atendimentos ou terapias realizadas. A proposta permitiria a participação de especialistas que não possuem disponibilidade para cumprir carga horária integral em concursos públicos.
Outro tema levado ao plenário foi a situação da base do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Apesar de a unidade ter sido inaugurada recentemente, vereadores relataram problemas estruturais e condições consideradas inadequadas para os trabalhadores.
Entre as situações apontadas estão a falta de espaços adequados para descanso e alimentação das equipes, banheiros em condições precárias, presença de animais peçonhentos e ausência de local apropriado para armazenamento de equipamentos médicos.
Também foi relatada preocupação com o descarte de resíduos biológicos provenientes das ambulâncias. Segundo os vereadores, os veículos são higienizados em área da garagem da prefeitura sem estrutura adequada para o tratamento dos resíduos, que acabam sendo direcionados para o sistema de escoamento existente no local.
Diante das demandas, está sendo organizada uma audiência pública para discutir as condições de atendimento às pessoas com autismo e a estrutura oferecida aos profissionais do SAMU. A proposta é reunir representantes dos municípios da região, Ministério Público, sindicatos e trabalhadores da área para buscar soluções para os problemas apontados.
Os pedidos agora serão encaminhados ao Poder Executivo para análise e eventual adoção de medidas.