Audiência pública expõe crise no SAMU e cobra mudanças na gestão do Ciruspar
Profissionais relatam desgaste, falta de diálogo e apontam dificuldades financeiras no consórcio regional
Segurança
por Deise Bach
A audiência pública realizada na Câmara de Vereadores de Francisco Beltrão debateu as condições de trabalho dos profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e o modelo de gestão do Consórcio Intermunicipal da Rede de Urgências do Sudoeste do Paraná (Ciruspar), responsável pela administração do serviço na região.
O encontro reuniu trabalhadores, gestores, autoridades e representantes dos municípios para discutir problemas relacionados ao financiamento, às condições de trabalho e à organização do atendimento.
![[Grupo RBJ de Comunicação] Audiência pública expõe crise no SAMU e cobra mudanças na gestão do Ciruspar — Foto: Assessoria](https://rbj.com.br/wp-content/uploads/2026/06/samu-2-1201x800.jpeg)
Entre as principais reclamações apresentadas pelos servidores estão a falta de diálogo com a gestão, o desgaste físico e emocional das equipes e a ausência de participação dos trabalhadores nas decisões administrativas. Profissionais relataram um ambiente de trabalho marcado por pressão e insegurança.
Outro tema amplamente debatido foi a renovação do acordo coletivo de trabalho em 2024. Servidores afirmaram que houve receio de perda de direitos e mudanças nas escalas de trabalho. Segundo os relatos, existia a possibilidade de substituição da escala de 12 horas por jornadas de seis horas, além de alterações em benefícios já existentes.
![[Grupo RBJ de Comunicação] Audiência pública expõe crise no SAMU e cobra mudanças na gestão do Ciruspar — Foto: Assessoria](https://rbj.com.br/wp-content/uploads/2026/06/samu-3-1201x800.jpeg)
A saúde mental dos trabalhadores também foi destaque durante a audiência. Participantes apontaram o aumento de afastamentos por problemas de saúde, relacionando a situação ao ambiente de trabalho e às dificuldades enfrentadas pelas equipes.
Na área financeira, foram levantados questionamentos sobre reajustes concedidos a cargos de gestão em anos anteriores, enquanto servidores da linha de frente reivindicam valorização salarial.
A diretoria do Ciruspar afirmou que o SAMU enfrenta dificuldades financeiras devido à falta de atualização dos repasses estaduais e federais. Segundo a direção, atualmente os municípios são responsáveis por aproximadamente 57,4% dos custos do serviço.
Também foi informado que alguns municípios possuem parcelas em atraso junto ao consórcio, o que impacta o fluxo financeiro da instituição.
Durante o debate, foram levantadas dúvidas sobre a implantação de novas bases e ambulâncias sem a habilitação definitiva do Ministério da Saúde, o que pode gerar custos adicionais aos municípios consorciados.
O secretário municipal de Saúde de Francisco Beltrão também destacou a necessidade de aperfeiçoar a regulação e as transferências de pacientes, buscando reduzir deslocamentos considerados desnecessários.
Ao final da audiência, os participantes definiram alguns encaminhamentos. Entre eles estão o envio da ata da reunião ao Ministério Público e ao Gaeco para análise das denúncias apresentadas, a cobrança de maior participação dos governos estadual e federal no financiamento do serviço e a proposta de criação de uma comissão permanente de diálogo entre trabalhadores, gestores e representantes dos municípios.
A diretoria do Ciruspar reafirmou que as decisões relacionadas à gestão e às questões salariais são tomadas pelo Conselho Deliberativo do consórcio, formado pelos prefeitos dos municípios integrantes, e destacou que a prioridade é garantir a continuidade e a sustentabilidade do atendimento regional do SAMU.